Pacaraima – Roraima, 25 de janeiro de 2025 – No último episódio, a queda de Nicolás Maduro, ex-presidente e ditador venezuelano foi dada como certa, mas seu regime seguia a todo vapor com aberturas sinalizadas pela presidente interina, Delcy Rodríguez, vice do líder derrubado que junto dele, supostamente venceu as eleições por meio de fraude. Ela que estava na Rússia, voltou as pressas para ser empossada.
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Ela demitiu militares de alta patente leais a Maduro, acenou para Donald Trump, dizendo que quer negociar e cooperar com o governo norte americano e agora conclama a oposição para se juntar a ela, oposição liderada por uma outra mulher, vice do candidato derrotado nas eleições supostamente fraudadas. Maria Corina, vencedora do Nobel da Paz em 2025, prêmio que o ex-presidente africano Nelson Mandela recebeu em 1993 e que o Trump é obcecado por ter.
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O presidente americano mostrou em certas ocasiões seu descontentamento por não ter recebido o almejado titulo, chegando a dizer que como não foi premiado, não seria mais sua obrigação pensar apenas na paz e o constrangimento levou a última ganhadora a doar a medalha para Donald, que posou para foto bastante sorridente, com a líder opositora venezuelana ao seu lado, outrora descartada. A organização do Nobel disse que o ato é simbólico, pois a certificação é intransferível.
Alguns dias depois Trump disse que não se importa com o Nobel, mas fontes da Casa Branca afirmaram a grande portais de notícias que ele espera ser indicado neste ano, se conseguir firmar um tratado de paz entre a Rússia e a Ucrânia, tendo criado um Conselho Mundial de Paz, numa espécie de ONU (Organização das Nações Unidas) paralela, se tornando alvo de críticas de grandes potências, considerando ainda suas ameaças recentes de invasão ao território da Dinamarca, a Groenlândia.
O país é tão membro da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico do Norte) quanto os Estados Unidos, que pela regra do próprio acordo militar, deveriam se protegerem e não se ameaçarem, o que pode gerar uma guerra sem precedentes, pois quando um país da OTAN é atacado, todos os outros membros tem a obrigação de se unirem contra o opressor e guerra é o contrário de paz, distanciando o presidente dos Estados Unidos da América (EUA) do tão sonhado Nobel, que pelo jeito será só sonho.
E o sonho se distancia ainda mais com o Republicano alimentando rumores de que utilizou armas sônicas na captura de Maduro, no dia 03 de janeiro na Venezuela. Disse o líder do EUA que suas forças armadas tem armas que o mundo não imagina e que tais foram utilizadas na referida ocasião. De fato os soldados chavistas e a população venezuelana fizeram estranhos relatos sobre o ataque, como por exemplo paralisia física total, perda de força nas pernas e braços, além de sangramento no nariz.
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E falando em sonho, os venezuelanos espalhados pela América Latina ainda sonham em retornar para seu país de origem, já que este retorno a pátria não foi registrado em nenhum lugar em massa. A fronteira com o Brasil, aqui em Pacaraima por exemplo, permanece tranquila, sem grandes movimentos e sem aumento considerável de trânsito.
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Especialistas projetam que a inflação não deve recuar tão facilmente e preveem o aumento de preços nos próximos meses. Apesar da libertação de centenas de presos políticos, a população não pode manifestar seus sentimentos, pois a opressão segue amedrontando utilizando para isso a legitimidade da Lei. É uma nova versão do Chavismo, considerando ainda que Delcy, a nova presidente e talvez ditadora, foi uma das figuras mais queridas de Hugo Chávez. Enquanto isso no Brasil, Lula, que pensa em reeleição, disse que está indignado com o que aconteceu na Venezuela.
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Joaquim Alcides é um filho de Ceres, seus pais foram pioneiros,
atualmente reside no estado do Mato Grosso,
é professor e Doutor em Sociologia e colaborador deste portal
