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Liberado para uso há 3 anos, o edifício Amethist Tower em Calda Novas (GO), prédio de 20 andares em que Daiane morava há 1 biênio, tinha Cleber como síndico mas não apenas isso, ele foi a principal liderança para a construção da liberação da obra, por meio da administração de uma espécie de associação entre moradores e esta liderança foi constituída por meio de seus métodos, que agora já sabemos quais são, podendo haver uma dívida de gratidão a ele, por alguns dos moradores, que com exceção de Daiane, jamais ousaram questionar as falhas administrativas e os excessos.
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Dona Nilse e sua família adquiriram 6 apartamentos no prédio e alugavam ao menos 4 deles, No início Cleber, o síndico estava tomando conta desses aluguéis, mas ao perceberem incoerências na oferta, cuidado e no repasse financeiro, decidiram cuidar pessoalmente dos imóveis. Por isso Daiane saiu de Minas e foi morar em Goiás. Aos poucos outros donos de apartamentos perceberam o zelo de Daiane com os negócios e começaram a migrar a realização de serviços de aluguel para a corretora, tomando espaço e dinheiro do síndico que também fazia esse tipo de serviço, inclusive com apartamentos próprios, gerando conflito de interesses e então começou a impor sanções a ela e na sequência a outros condôminos. Como administrador do prédio inteiro passou a impor multas altas como forma de coerção. Após as investigações sabe-se que o caixa do prédio tinha cifras milionárias.
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Isso não foi suficiente para intimidar Daiane e Cleber foi aumentando a dosagem de repressão e a tensão foi escalonando até chegar numa assembleia geral onde 52 dos 58 participantes votaram para expulsar Daiane do prédio que também era dela. Ela entrou com processo judicial e conseguiu liminar que lhe dava direito ao acesso, cassando portanto o resultado da votação, que mais tarde se provou ser fraudulenta, uma vez que a corretora não teve permissão sequer de participar para elaborar a defesa e a maioria dos votos foi dado pelo próprio síndico, por meio de procurações, sinalizando abuso de poder.
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Com a liminar em mãos, ou seja, autorizada a usar um espaço que também era dela, o síndico cria um artifício para atingir a corretora. Dessa vez ele proíbe ela de ter acesso a recepção e informa que não realizará mais nenhuma manutenção referente aos apartamentos que estão sob sua responsabilidade, se aplicando também aos demais inquilinos que estivessem fechados com ela.
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A partir de então começa uma perseguição desmedida, que levou a acusação do MPGO. Em uma ocasião a mãe de Daiane estava no elevador e ele parou de funcionar quase que ao mesmo tempo, mesmo com a eletricidade normal em todo o prédio. A corretora foi até a recepção e lá encontrou o síndico Cleber, contou a ele a situação e com tranquilidade afirma saber que a administração possui uma chavinha para situações emergenciais envolvendo o meio de transporte entre andares. Ele diz desconhecer o procedimento e não lhe dá atenção. Tudo filmado. Nilse fica por 50 minutos presa.
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As perseguições não pararam por aí. A eletricidade passou a ser interrompida com frequência nos imóveis de Daiane, inclusive quando haviam hóspedes e até o fornecimento de água. Ela passou a documentar tudo em vídeo. Em certas ocasiões alguém operava de forma ilegal o relógio, já que certos procedimentos só podem ser feitos pela concessionária de energia elétrica, como mexer na fiação interna do aparelho. Ela passou a trancar o padrão, mas não adiantava.
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Brigas começaram a acontecer. Daiane em muitos momentos perdia a calma e gritava com o síndico e ele, por diversas vezes mostrou seu desequilíbrio no trato com ela. Parecia agir de forma deliberada a atingi-la. Dizia aos vizinhos que ela era feiticeira, macumbeira, que usava drogas e era uma mulher qualquer, claramente difamando-a. O Canal The Exposed afirmou que ele colocava palitinhos de dente quebrados dentro das fechaduras para atrapalhar a entrada nas residências.
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Certa feita invadiu o apartamento de Daiane, aproveitando que a porta estava aberta, justificando a entrada justamente por isso e filmou o interior, onde claramente se notava a instalação de armários e guarda roupas, mas ele distorceu os fatos e narrou que ela estava montando uma marcenaria no apartamento e isso atrapalharia a tranquilidade do lugar. O Ministério Público de Goiás constatou que ele a stalkeava pelas câmeras de monitoramento e por isso também o denunciou pelo crime de perseguição, demonstrando que o assassinato foi movido por sentimento de ódio.
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Era uma morte anunciada. Daiane abriu 12 processos contra Cleber, acusando-o inclusive de violência física e de racismo. Nenhum serviu para protegê-la, embora ela tenha ganho todos. O último processo lhe garantiu uma indenização de cerca de 20 mil Reais, 10 dias antes do assassinato, período este inclusive que o síndico havia parado de provocar a mulher e se mostrava mais tranquilo, voltando a ativa apenas no dia do sumiço e morte da Daiane e após seu até então desaparecimento, decidiu isentar toda a sua comunidade da taxa de condomínio, algo nunca feito.
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Carl Junior é brasileiro, filho de suíços,
cientista humano, estudou nos EUA
e aborda temas ligados a Psicologia, Filosofia e Antropologia
