Leia agora: O Caso Daiane, completo
Na noite do dia 17 de dezembro, a eletricidade acaba no apartamento 402 do edifício Amethist Tower, prédio com 20 andares que fica em um complexo de blocos residenciais dentro de um importante clube de turismo da cidade de Caldas Novas – GO, ligado a um estruturado grupo de organizadores. Daiane Alves Souza tinha 43 anos, natural de Uberlândia – MG, sai porta a fora para ver o que houve e percebe que a luz nos corredores está normal, então desce até a recepção para falar com o porteiro sobre a situação encontrada.
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Ela deixa a porta aberta, como quem não havia planejado descer ou havia pensando em retornar sem demora. Na portaria não consegue resolver seu problema, na verdade, nem encontrou o porteiro, era horário de troca de turno, então decide descer mais um pouco e ir em uma área restrita, onde fica os relógios medidores de energia, também chamados de padrão. Ela morava em Caldas Novas já há 2 anos com o propósito inicial de cuidar dos imóveis de sua família.
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Entra no elevador, olha para a câmera, chega no andar, as portas se abrem, ela sai exatamente as 19h e nunca mais é vista, só sendo encontrada morta 43 dias depois em uma vala numa mata a 15km da cidade, após indicação do local por parte de seu assassino confesso, o síndico do prédio, Cleber Rosa de Oliveira, preso um dia antes em seu próprio apartamento, enquanto aparentava planejar um fuga, considerando as malas prontas encontradas pela Polícia, como quem se preparar para uma viagem, mesmo não tendo sido anunciado oficialmente como suspeito nas investigações.
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Daiane desceu pelo elevador do quarto andar, de chinelo e roupa simples até o térreo onde procurou pelo porteiro que propositalmente ou não, estava ausente de seu posto. A Polícia Civil (PC) conduziu-o coercitivamente na data da prisão do síndico para prestar depoimento. Disse que nesse dia chegou atrasado ao trabalho, mas a PC desmentiu a informação, porém ele não é suspeito e foi liberado. Em seu depoimento ele esclareceu que não viu nada e não presenciou fato estranho, mas confirmou uma relação de convivência difícil entre os envolvidos.
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Da recepção, Daiane decide descer até o subsolo para religar sua energia e voltar a limpar seu apartamento e lavar sua roupa, mas ao chegar lá é surpreendida pelo Cleber, que pode ter confrontado a vítima fisicamente, com algum golpe corporal e consequentemente terminando em estrangulamento como informado anteriormente pelas autoridades, porém, novas informações confirmaram que um projétil de arma de fogo foi encontrado alojado na cabeça dela durante autópsia.
Cleber, o síndico tido como o assassino não foi visto por câmeras, pois usou as escadas para ter acesso a cena do assassinato que não tem monitoramento, tratando-se de um ponto cego. A morte e a ocultação do corpo no local durou cerca de 8 minutos, considerando que as 19:08h uma moradora teve acesso ao local e sendo ouvida pela Polícia de Goiás, contou que não notou absolutamente nada.
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O síndico colocou o corpo morto na carroceria de sua picape prata e saiu dali mais ou menos 40 minutos após a morte de Daiane, por uma saída que normalmente não é utilizada. O monitoramento desta e das saídas oficiais, estranhamente estavam desligadas nessa data o que com tudo que já se tem de informações pode ser um indicativo de premeditação, somado ao desligamento proposital de sua energia, como parte de uma armadilha ou emboscada, sinalizando para um comportamento calculista.
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Com Daiane, que era corretora dentro do carro, o agora ex-síndico, percorreu 15km e abandonou o corpo da mulher na GO-213, já no município de Ipameri – GO. O local é uma região de mata fechada, em uma vala onde há água corrente. Após esse ato, volta ao prédio cerca de 48 minutos depois e segue com sua rotina normal por 42 dias, indicando uma frieza anormal.
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Para a Civil de Goiás em primeiro momento ele negou que tivesse saído de casa naquela noite, mas a Polícia conseguiu imagens que mostraram a picape indo em direção a mata com a carroceria fechada e voltando com o compartimento de cargas aberto em um trajeto que não duraria esse tempo todo em situação normal, que levaria metade dessa duração.
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Da descida de seu apartamento até a recepção, a corretora filmou todo o trajeto, ao que tudo indica, direto no WhatsApp de uma amiga e enviou 2 vídeos ao longo desse tempo. Ao todo foram 3 gravações, flagradas pela câmara do sistema interno do elevador do qual ela sai as 19h filmando, mas esse registro não chegou para sua amiga e em seguida o aparelho não dá mais sinais e Daiane não é mais vista. Seu celular foi encontrado pela equipe investigativa e está sendo periciado.
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Carl Junior é brasileiro, filho de suíços,
cientista humano, estudou nos EUA
e aborda temas ligados a Psicologia, Filosofia e Antropologia
