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Moto GP em Goiás: Orgulho em passar vergonha

Ao todo o Brasil sediou o evento por 13 vezes, sendo 3 em Goiânia, 1 em São Paulo e o 9 no Rio, representando um retorno após décadas
Publicado em 25 de março de 2026
por Joaquim Alcides

Goiânia, 22 de março de 2026 – O MotoGP (Moto Grand Prix) é o principal campeonato mundial de motovelocidade, uma modalidade tão famosa e importante quanto a Fórmula 1, que é disputado desde 1949 reunindo os pilotos mais rápidos do mundo em protótipos de alta tecnologia, integrando diversas categorias em um mesmo evento que ocorre por etapas, normalmente 1 por país, sendo o Brasil um dos escolhidos para sediar uma das 22 edições de 2026.

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E o lugar escolhido para a etapa brasileira foi Goiânia, a capital de Goiás e de tantas outras coisas mais em seu novo Autódromo Internacional Ayrton Senna onde foi realizada a primeira edição em território tupiniquim em 1987 e repetiu o feito nos dois anos seguintes numa época em que as exigências padrão FIFA não eram tão cobradas. Ao todo o Brasil sediou o evento por 13 vezes, sendo uma em São Paulo e o restante no Rio.

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A última vez que a corrida se deu no Brasil foi em 2004 representando portanto um retorno após mais de 20 anos de espera motivo justo que levou o governador de Goiás a investir bastante neste evento e em sua publicidade. Só na reforma e adequação do autódromo foram gastos cerca de 250 milhões de Reais com estimativa de retorno quase bilionário através da movimentação financeira e aquecimento da economia goiana.

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Apesar dos esforços e dos pesados investimentos no dia do treino classificatório, um buraco se abriu em plena pista necessitando de um reparo profundo de forma emergencial, levando a uma reflexão de profundidade semelhante sobre o estado e conservação de rodovias estaduais, asfaltadas ou não, onde o investimento é bem menor e menos direcionado.

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As condições da pista do autódromo levaram a atrasos na disputas de todas as categorias e também da corrida principal que teve a quantidade de voltas reduzidas de 31 para 23 afim de evitar o desgaste irregular dos pneus que poderia colocar os pilotos em um risco maior que o tolerável. Alguns competidores criticaram o asfalto devido a 2 trechos bastantes desgastados.

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Os pilotos Álex Rins, Diogo Moreira, Brad Binder e Álex Márquez relataram que a massa asfáltica estava se desfazendo e com isso deixando britas soltas e ondulações prejudicando a estabilidades das motos. Davide Brivio, chefe de equipe da Trackhouse lamentou os problemas estruturais e disse que a pista de Goiânia ainda não está no nível MotoGP, referindo-se também a presença de pontos de alagamentos e lama no traçado.

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Outros profissionais do ramo também se queixaram da pista, mas a instituição organizadora do evento adotou um tom diplomático e pacificador frente aos conflitos de qualidade encontrados. Porém Goiânia enfrentou outros problemas com a chegada de cerca de 150 mil visitantes que aumentou o fluxo de passageiros na rodoviária e no aeroporto, chegando a uma alta de até 300%, que resultou em superlotação do transporte público e numa maior movimentação de pedestres pelas ruas da cidade, uma vez que os turistas também queriam conhecer a cidade, além de que estavam hospedados em diversas regiões da malha hoteleira que esteve lotada e superfaturada na região metropolitana.

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Tive a oportunidade de conviver com alguns desses turistas, me apresentando como um visitante, que sou uma vez que resido em outro estado e me confessaram que não se sentiram seguros na cidade e que o centro é bagunçado. Um europeu foi atropelado sem gravidade ao tentar atravessar uma rua que tem faixa para pedestres mas só tem semáforo para carros. Uma argentina disse que a cidade não foi projetada para pedestres enquanto que uma curitibana me disse que teria sido melhor o evento em outra cidade mais preparada.

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Mesmo com todos esses indicadores negativos as edições brasileiras até 2030 serão realizadas em Goiânia, agora capital da Motovelocidade e os ingressos já estão sendo vendidos, com expectativa dos goianos de melhorias na estrutura da cidade, não só no autódromo e não só na pista também, mas sim em todas as ruas para que a metrópole possa ser visitada e receber turistas em todo o ano por outros motivos.

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Joaquim Alcides é um filho de Ceres, seus pais foram pioneiros,
atualmente reside no estado do Mato Grosso,
é professor e Doutor em Sociologia e colaborador deste portal

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Ficha Técnica

Editor Chefe: Luiz Fernando
Supervisão: Greg
Redação: Kássio Kran
Imagem: OA

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