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A Decadência de Ceres

As definições das pré candidaturas a uma cadeira na Alego estão se definindo a passos lentos. No caso de Ceres, pelo que parece, há pouca movimentação.
Publicado em 22 de fevereiro de 2022
por Professor Pardal
Imagem aérea da cidade de Ceres, Goiás, Brasil.
Ceres, Goiás, Brasil (Foto: OAgregador)

As definições das pré candidaturas a uma cadeira na Alego estão se definindo a passos lentos. No caso de Ceres, pelo que parece, há pouca movimentação. Dino já declarou apoio a um pára-quedista até então desconhecido do público ceresino, idem para alguns vereadores e até mesmo o prefeito. Como nestes casos o que prevalece são as cifras em troca de um punhado de votos, a popularidade do candidato importado pouco importa, pois o que vale mesmo será a aventura mercenaria do jogo do milhão que são as eleições.

Quanto ao ex-prefeito Rafael Melo, fica a dúvida se será ou não candidato. O fato é que a movimentação é de quem espera definição de cima para se mostrar mais à vontade entre os eleitores.

Seja como for, aos olhos dos caciques partidários da capital, os candidatos de Ceres não são atraentes eleitoralmente se comparado à outras regiões, por isso esse desprestígio de nomes caros da municipalidade. Logo Ceres que já elegeu tantos deputados, inclusive federal e até já teve um Secretário Estadual de Saúde. Aliás, Carlos Mendes, Valter Melo e esposa, foram os últimos ceresinos a conquistar uma cadeira no parlamento. Isso lá na década de 90. De lá pra cá, Ceres estacionou no tempo e só serviu de trampolim para ajudar na eleição de lideranças políticas de outras cidades.

Qual seria o motivo ou os motivos para Ceres deixar de sentar nas principais cadeiras de decisão do Estado?

Há vários motivos, alguns conjunturais, outros históricos, estruturais e há até mesmo motivações específicas. Particularmente me considero incapaz de pontuar todos, mas vou me aventurar aqui a apontar alguns possíveis motivos do débâcle político-eleitoral da Deusa dos Cereais.

O primeiro e talvez o mais determinante dos motivos tem relação direta com as limitações do crescimento econômico, populacional e empresarial da cidade de Ceres, devido, dentre outros, da incapacidade de expansão do potencial energético. Pelo menos dois saudosos ex-prefeitos da cidade, disseram mais de uma vez que Ceres, ainda na decada de 90, tinha chegado ao limite de sua capacidade de fornecimento de energia, não tendo a partir de então, condições de abrigar grandes empresas, ou seja, indústrias e fábricas de alta tecnologia que exigem grande consumo de energia. Isso era dito nos meios de comunicação sempre que Ceres perdia uma disputa aos vizinhos para trazer empresa para a cidade. O fato é que não tenho conhecimento de que essas informações foram contestadas.

Lembrando que Ceres, diferentemente da maioria do Estado, tem sua própria companhia hidroelétrica, que talvez pela falta de investimento em infraestrutura ou expansão de sua usina se vê obrigada a comprar energia de outras concessionárias e revender aos usuários locais, num valor provavelmente maior.

Diante desse cenário de estagnação de Ceres, cidades vizinhas, tais como Goianésia, Jaraguá, Itapuranga, entre outras, conseguiram crescer exponencialmente da década de 90 para cá. No caso de Goianésia, que até décadas atrás rivalizava com Ceres em igualdade de condições, ganhou um salto gigantesco em seu crescimento, deixando a antiga Deusa dos Cereais comendo poeira, bem atrás. E o sucesso dessa empreitada de crescimento foi justamente os motivos elencados acima neste texto, ou seja, crescimento econômico, populacional e empresarial puxado pela expansão da infraestrutura energética que possibilitou a cidade receber todo esse investimento. O fato é que Goianésia tem uma economia dinâmica pujante e se tornou o macho alpha do Vale do São Patrício, sendo a cidade que mais recebe benefícios e políticas públicas dos governos. O exemplo que mais salta aos olhos são as estradas que vão para Goianésia – espaço necessário para escoar a riqueza produzida pela cidade e tapete de entrada para as importações e recebimento dos produtos e mercadorias vindo da capital e de outras localidades.

Nesse ínterim Ceres perdeu competitividade enquanto cidades adjacentes ganharam envergadura inclusive política e nada mais natural que as lideranças dessas cidades sobreponha seus poderes sobre as lideranças de cidades mais frágeis como Ceres. O exemplo disso está no poder de representação de municípios como Goianésia que sempre tem um filho seu com assento na Alego e até mesmo no Congresso, tendo inclusive nomes de goianesienses lembrados para disputar o governo de Goiás, foi assim com Jalles Fontoura nas eleições passadas e Otavinho nesta.

Ceres, ao contrário, trilhou o caminho inverso. Da década de 90 para cá, Uma das maiores brigas políticas entre caciques por disputa de poder foi desastroso para a cidade. Veja o caso político do Ipiranga que no ano de 2000 culminou numa emancipação desordenada com critério geográfico duvidoso e desfavorável ao município de Ceres. Esse fato passou despercebido mas foi fruto de movimentações e decisões de um grupo político na tentativa de enfraquecer outro grupo e no fim quem perdeu foi a cidade, pois tal emancipação foi um fator grave de enfraquecimento da vocação agrícola da cidade de Ceres que perdeu os pedaços de terra mais férteis e produtivos do município, com enorme potencial de geração de riqueza.

Portanto, o problema de limitação de energia somado a redução do território do município com a emancipação do Ipiranga, agravado com a falta de incentivos fiscais aliado a políticas municipais econômicas equivocadas, acelerou a fuga das grandes empresas que havia na cidade. A principal delas foi o Tio Jorge – uma das maiores empresas produtoras de arroz do país – dirigida pelo ceresino Jorge Costa & família. Atrás delas foram muitas outras numa diáspora do setor produtivo numa visto na cidade.

Esse diagnóstico desastroso na linha do tempo de Ceres é fruto sobretudo de decisões equivocadas quiçá mal intencionadas de grupos políticos ceresinos despreparados ou incompetentes que não conseguiram planejar a cidade a médio e longo prazo e só pensaram em se alternar no poder. Consequência direta disso pode ser percebido no aumento gradativo e exponencial da desigualdade social e econômica entre a população que cresceu inversamente proporcional a decadência da estrutura da cidade – carcomida por sua elite predatória e atrasada.

Diagnosticar é fácil. Criticar, mais fácil ainda. Bom seria propor soluções ou articular alguma proposta ou projeto capaz de resolver esse problema ou reverter essa tendência de estagnação. Para não deixar o texto capenga, caxingando na argumentação, vou sinalizar algumas pistas articulando algumas ideias que considero úteis.

I. O principal pilar para a retomada do crescimento de Ceres é a sociedade reconhecer o problema e enfrentar o debate sobre o monopólio da companhia hidroelétrica na cidade de Ceres e uma possível abertura desse nicho de mercado à uma concorrência ampla com oferta de serviços por outras concessionárias a fim de superar as limitações e problemas de infraestrutura relacionados ao fornecimento de energia, na expectativa de fundamentar o desenvolvimento econômico da cidade de forma sustentável e planejada, sem restrições a instalação e fixação de indústria e grandes empresas.

II. É necessário e urgente pensar em outras lideranças para além da tradicional disputa entre dois grupos. Essa longa disputa binária entre família Melo vs família Edmário – herdeiros políticos da família Mendes precisa virar a página, pois comprovadamente essa disputa se tornou algo por demais provinciano e reduzido aos interesses particulares e familiares dos que estão no poder. Só para se ter uma ideia, o prefeito usa seu poder para agasalhar mulher e filha com emprego na prefeitura com polpudos salários; vice prefeito emprega a esposa; vereador líder do prefeito tem esposa e irmã em altos cargos na prefeitura; outro vereador do partido do prefeito também tem esposa em cargo estratégico na administração municipal. Em contrapartida o serviço público prestado está em franca decadência com precarização em várias repartições.

As duas sugestões acima dialogam entre si, já que uma é fruto do despreparo da gestão da outra. O fato concreto é que sem dar estes passos fundamentais na restruturação da cidade vejo como improvável Ceres figurar novamente como protagonista no cenário estadual. Como resultado imediato, continuaremos vendo as eleições estaduais como espectadores, sem protagonismo, ocasião que os políticos locais continuarão negociando apoio de políticos pára-quedistas, enchendo os bolsos próprios e empurrando goela abaixo candidatos sem compromisso algum com Ceres. E para piorar, a prestação do serviço público vai de mal a pior.

Ficha Técnica

Texto: Professor Pardal

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