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Novo governo da Venezuela

Em crise complicada chamada de multidimensional por especialistas, que dura já há pelo menos 13 anos. Conversamos com alguns venezuelanos
Publicado em 3 de janeiro de 2026
por Joaquim Alcides

Pacaraima – Roraima, 03 de janeiro de 2025 – Na madrugada de sexta para sábado, já no terceiro dia do ano uma novidade diplomática balançou o mundo todo. A invasão anunciada, planejada por meses contra a Venezuela, praticada pelos Estados Unidos da América (EUA) que terminou na captura de Nicolás Maduro, seu presidente e ditador, além de sua esposa Cilia Flores. A operação batizada de Resolução Absoluta, numa tradução livre, resultou em pelo menos 40 mortes, entre civis e militares.

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A incursão em território venezuelano foi rápida e cirúrgica, objetiva e direta indicando treinamento bastante assertivo com indicações também de cooperação de pessoas próximas ao líder latino, considerando ainda a fala de Donald Trump, presidente norte americano, quando disse que contou com um informante. A oposição do país sul americano disse sem dar mais explicações que a captura foi negociada, dando ares de teatralidade. Lembrando que os EUA haviam ofertado 50 milhões de dólares para quem trouxesse informações que coadunassem para a prisão do ditador.

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O povo do país atacado, acordou preocupado, sobretudo na capital Caracas onde toda a cena se desenrolou, sendo transmitida ao vivo para o escritório particular de Trump. Ao amanhecer, protestos foram registrados concentrados em vários lugares. De frente ao Palácio Miraflores, centro do poder presidencial, a favor de Maduro. Houve protestos também em Sabatena, cidade em que nasceu Hugo Chávez, ex-presidente e um dos maiores responsáveis pela manutenção do caos instalado. O povo está com medo e se sentindo inseguro.

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Agora que Maduro caiu, os Estados Unidos dizem que assumirão o comando do país até que as coisas se ajeitem. Mas isso não significa diretamente a queda do regime. Para isso há todo um processo que pode levar muito tempo e desgaste diplomático, afinal estamos falando de uma nação e suas complexidades sejam democráticas ou não e nisso mexe-se em tudo, inclusive na cultura de um povo, o que pode resultar em crise migratória grave, revoltas populares e até guerra civil.

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E por mais que seja bom para o povo venezuelano se livrar de um governante como o Nicolás sabemos que Trump não está interessado em governar a Venezuela, mas sim em suas riquezas, como o petróleo por exemplo, já tendo anunciado isso, pouco após a invasão no país caribenho, que inserirá empresas do ramo petrolífero, não escondendo mais seus interesses, por trás das justificativas criminosas de narcotráfico que recaem sobre o último líder chavista.

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Em crise completa, complexa e complicada chamada de multidimensional por especialistas, que dura já há pelo menos 13 anos, somente agora houve uma atitude que buscasse uma resolução absoluta. O povo sofreu. Milhões se viram obrigados a deixar suas famílias, seus empregos, seus hobbys, seus estudos, sua cultura e imergir em outros lugares. O Brasil multicultural abraçou cerca de 300 mil deles. Parece só um número, pequeno até, perto dos aproximadamente 8 milhões que saíram em êxodo, mas são na verdade 300 mil histórias, rotas alteradas que nunca mais serão as mesmas.

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Nossa equipe conversou com algumas pessoas do país vizinho, mas que moram em solo brasileiro. Yessica que mora no interior de Goiás, falou conosco desde que não revelássemos sua cidade. Disse que está muito preocupada com tudo. Sua mãe mora em Caracas e estava sem sinal de telefone. Durante a entrevista recebeu uma ligação dizendo que estava tudo bem com a família na capital. Ela lamenta que seu país tenha passado por essa situação.

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Pablo que mora em Goiânia, capital de Goiás, frentista em um posto, apontou para uma bomba de combustíveis e disse: “estão jogando bomba no meu povo, para que não falte gasolina nas bombas do povo deles”, indignando com a situação. Ele que está com praticamente toda a família no Brasil, já fala português e disse não pretender voltar mais a sua pátria. Para ele, sua nação nunca mais será o que já foi.

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Kelvin, hoje em São Paulo não vê felicidade numa possível solução, vê tristeza em as coisas terem chegado a esse ponto. Para ele não há o que comemorar, mas quer retornar ao país de origem. Saray que hoje mora em Sinop, no Mato Grosso, minha cidade, falou comigo por telefone e contou que está feliz e ao mesmo tempo assustada com o que houve. Assumiu que com as esperanças renovadas certamente volverá para casa em breve. Em tom de despedida agradeceu aos brasileiros pela hospitalidade.

Aqui em Pacaraima conversei com muita gente. A prefeitura da cidade fronteiriça está profundamente preocupada com um possível agravamento da crise migratória. Inicialmente a fronteira foi fechada, mas reaberta no meio da tarde. Não houve tumulto, não houve confronto. Movimentação normal de entrada e saída. Numa dessas falei com Yoleida que atravessou a pé, retornando das festas de fim de ano, com destino a Manaus, onde trabalha. Ela que foi entrevistada por outros colegas jornalistas, nos disse que a operação não a preocupa e que não o que fazer além de esperar. Então, vamos esperar e acompanhar.

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Joaquim Alcides é um filho de Ceres, seus pais foram pioneiros,
atualmente reside no estado do Mato Grosso,
é professor e Doutor em Sociologia e colaborador deste portal

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Ficha Técnica

Editor Chefe: Luiz Fernando
Supervisão: Greg
Redação: Kássio Kran
Imagem: OA

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