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Uma analise sem obediência da série Desobedientes

Saiba mais sobre a minissérie que estreou em setembro de 2025 na Netflix e muito rapidamente chegou no topo de acessos na plataforma
Publicado em 9 de março de 2026
por Kássio Kran

Desobedientes estreou em 25 de setembro de 2025 em formato de minissérie na Netflix e muito rapidamente chegou no topo de acessos na plataforma de streaming, com uma boa receita de drama e suspense numa trama cheia de mistérios e reviravoltas roteirizada e estrelada por Mae Martin, ator, comediante e cantor canadense. O enredo é bastante atrativo e envolvente do início ao meio, mas do meio ao fim fica disperso, fazendo com que o roteiro fique abaixo da expectativa gerada.

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A série em sua duração mini, consegue abordar assuntos complexos e extremamente importantes como a saúde mental, relações familiares, religião, sistema de crenças, drogas de diversos tipos e métodos de reabilitação praticados em centros especializados. Mas mesmo com ideias boas e temas socialmente relevantes, o enredo não corresponde as expectativas, entregando um suspense psicológico vago e insatisfatório, principalmente para críticos que entendem ao menos um pouco de cinema e produção audiovisual.

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Ao que tudo indica e diversas fontes confirmam, a série foi baseada em experiência de vida do autor, que faz função de policial, pai e marido na trama, ocupando um dos papéis principais, podendo se tratar de uma maneira de enfrentamento pessoal de sua própria história de vida, algo catártico, tornando difícil a tradução do subjetivo para o objetivo em nossas telinhas, deixando pontas soltas que colocam em dúvida a possibilidade e a necessidade de uma segunda temporada.

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O elenco é excelente com atuações dignas de prêmios, sendo possível reconhecer o esforço dos atores e atrizes envolvidos e até a direção de fotografia capturam os melhores ângulos para gerar a sensação de clima bucólico. A equipe até se esforça, é possível ver no desenrolar das cenas, mas dizer algo profundo em um ambiente raso é um desafio impossível de atingir. É como mergulhar em águas rasas, pode bater com a cabeça no fundo.

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O texto é muito parecido com os preceitos de uma seita norte americana real, chamada Synanon muito presente na década de 70, que foi um movimento religioso iniciado em 1958 por Charles Dederich com foco em reabilitação para dependentes químicos de drogas e álcool, se colocando como alternativa a grupos de autoajuda como o Alcoólicos Anônimos que tem sua data inicial de atividade em meados de 1935.

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O Synanon utilizava técnicas de Terapia de Ataque, controversas e não difundidas na Psicologia Moderna associadas ao isolamento que criava um ambiente hostil em que era mais fácil realizar a dominação dos internos por meio de conjunto de crenças, uma vez que ficavam expostos e demasiadamente vulneráveis, facilitando também abusos diversos, em alguns casos envolvendo uso irregular de drogas psicodélicas.

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Em 1978 o grupo foi desfeito de maneira oficial, seus fundadores foram presos e desmascarados inclusive sob acusação de fraudes financeiras com volumes milionários, mas muitas clínicas e casas de recuperação seguem se inspirando neste formato nos dias atuais, representando um desafio a saúde mental séria. Estudiosos do caso contam que Synanon serviu de base para a industrialização de jovens problemáticos e para a alimentação da indústria farmacêutica psiquiátrica que movimenta trilhões de dólares todos os anos.

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A enfermeira obstétrica Lia Muniz, atua no PASH – Plano Assistencial em Saúde Holística, também é doula, profissional que atua no suporte das gestantes durante todo o processo de maternagem, configurando aqui o cuidado físico e emocional afirmou que a série trata de um renascimento, com 8 episódios cada um simbolizando um capítulo da gestação de Laura, interpretada por Sarah Gadon, esposa do policial Alex Dempsey, papel principal protagonizado pelo autor. Se trata de um parto prematuro ocorrido no oitavo mês, em meio a tanta intercorrência, levando a um outro patamar o entendimento.

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Não sou nenhuma autoridade de cinema, mas tenho o pé dentro das produções audiovisuais com experiência no setor desde 2018, que me dá segurança para explorar o assunto. Dirigi e roteirizei alguns filmes, como o documentário Existe Racismo em Ceres?, fui jurado em diversos festivais de cinema no estado de Goiás e fundei o Cine Clube Zion, tudo sob tutela do Instituto Ubuntu.

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Kássio Kran é psicólogo, conselheiro do CRP/GO, palestrante e terapeuta,
fundador do Instituto Ubuntu e da Fundação Henrique Gabriel dos Santos
Atualmente é CEO do PASH – Plano Assistencial em Saúde Holística

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Ficha Técnica

Editor Chefe: Luiz Fernando
Supervisão: Greg
Redação: Kássio Kran
Imagem: OA

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Que tempos são esses que a direita se orgulha em se apresentar e a esquerda se encolhe ou se fantasia de isenta?!
No dia 02 de Novembro de 2019, a cidade de Ceres recebeu uma visita ilustre. O poeta e compositor Renan Inquérito esteve na cidade a pedido do Instituto Ubuntu.
Animal, provavelmente, é um macho adulto, que pesa em entre 50 e 60 quilos.