O fato mais bizarro que de tão bizarro chega a ser nojento e repugnante trata-se dos comentários feitos pelo zagueiro Gustavo Marques do Red Bull Bragantino quando da eliminação para o São Paulo, no Campeonato Paulista já nas quartas de finais, o jogador fez contínuos e profundos comentários machistas e misóginos sobre a atuação da árbitra Daiane Muniz, profissional de nível internacional, que está no quadro da FIFA desde 2018.
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“Primeiramente, eu quero falar da arbitragem porque não adianta a gente jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians, e eles colocarem uma mulher para apitar um jogo desse tamanho. Acho que a Federação Paulista tem que olhar para os jogos desse tamanho e não colocar uma mulher.”
Gustavo Marques, zagueiro do Red Bull
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Uma das situações que mais chamou a atenção foi o fato de que nenhum jornalista interrompeu, interpelou ou contrapôs o jogador no momento da entrevista após o jogo, parecendo inicialmente reforçar o comportamento odioso do atleta, abrindo caminho para sua defesa pública nas redes sociais, já que muitos internautas argumentaram a favor da atitude do futebolista, que foi xingado pela esposa e pela mãe, conforme palavras do próprio e se viu obrigado a pedir desculpas pela cena horrorosa que protagonizou. Realmente, Red Bull dá asas.
Como punição foi suspenso de 12 jogos após decisão do Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo (TJDSP) e terá que pagar multa de 30 mil Reais, além de ter redução de metade de seu salário, sendo que conforme o clube no qual ainda joga, reverterá a retenção do pagamento para instituições de proteção a mulher. Para ele a mulher errou durante a arbitragem e prejudicou o resultado do jogo, fato contestado por especialistas e comentaristas. Aos fatos a árbitra apenas disse que “essas coisas não desanima sua carreira”
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Quatro dias após essa ocorrência, uma outra situação grave aconteceu digna de críticas por uma falha grotesca da arbitragem na vitória do Palmeiras sobre o Fluminense no Campeonato Brasileiro, quando o alviverde paulista deu saída de bola nos dois tempos, um erro crasso do árbitro Felipe Fernandes de Lima, que sequer é mencionado em matérias sobre o tema em grandes portais como o G1 por exemplo, denunciando aqui, portanto, uma espécie de corporativismo masculino.
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Outra situação bizarra em campeonato estadual ocorreu no Mineiro na final entre Cruzeiro e Atlético, com título da Raposa que estava em jejum há 7 anos, durante uma confusão generalizada em que o árbitro Matheus Delgado Candançan expulsou 23 pessoas, superando o recorde brasileiro que era de 22 no ano de 1954 entre Portuguesa e Botafogo, repetido em 1971 entre Figueirense e Avaí. A atitude reflete fora dos gramados nas respectivas torcidas organizadas que já cultivam conflitos sem ter incentivos.
“Por atingir com a canela a cabeça de seu adversário, nº 22, com uso de força excessiva e intensidade alta, quando a bola já estava em posse do goleiro. Esclareço que após essa ação teve início uma briga generalizada, não sendo possível apresentar o cartão vermelho”
Matheus Delgado Candançan, árbitro
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E teve um pênalti assinalado simplesmente porque o goleiro defendeu com as mãos. O fato hilário, mas real foi registrado numa semifinal do Campeonato Amazonense entre Amazonas, da capital e Parintins, do interior já no finalzinho do segundo tempo, alterando o placar e o resultado final da partida, que por causa do fato inusitado acabou empatada em 1 a 1 e indo para a disputa dos penais, favorecendo o time interiorano que estava atrás no placar. Luis Mitoso, presidente da equipe eliminada alfinetou o presidente da Federação, Ednailson Rozenha, que é vice da CBF, ao dizer que se não tomar atitude, estará sendo conivente.
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Kássio Kran é psicólogo, conselheiro do CRP/GO, palestrante e terapeuta,
fundador do Instituto Ubuntu e da Fundação Henrique Gabriel dos Santos.
Atualmente é CEO do PASH – Plano Assistencial em Saúde Holística
