Pacaraima – Roraima, 08 de janeiro de 2025 – A fronteira do Brasil com a Venezuela nunca esteve tão calma, sem grandes movimentações que era inclusive cotidianas no ir e vir, indicando que algo provavelmente está barrando esse fluxo em um momento que naturalmente a população estaria mais polvorosa. Acontece que Maduro caiu, mas seu regime segue de pé e seu filho prometeu que ele voltará, igual na novela global, A Indomada, no caso “O Indomado”.
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A repressão contra o povo venezuelano segue mais forte que antes, com o governo perseguindo civis favoráveis ao ataque americano que derrubou o líder do país. Quem for pego comemorando, recebe alguma punição, aplicada por pessoas armadas e sem farda, gerando uma insegurança e um sentimento de dúvida na população, com intenso terror psicológico, ampliado pela desinformação, pois jornalistas estão sendo presos, como foi noticiado pela CNN ao vivo em seu canal. A perseguição não é contra os profissionais do jornalismo, mas sim ao produto elaborado por eles, a informação. Tudo dentro da lei, graças ao estado de comoção.
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Os militares não estão nas ruas, estão dentro dos núcleos de poder brigando entre eles para ver quem de fato controlará a nação. Donald Trump recusou apoio de Maria Corina, vencedora do Nobel da Paz em 2024. Ela lidera a oposição a Nicolás Maduro e foi vice do candidato que disputou as eleições, suspostamente fraudadas, contra o ditador vencedor, detido pelos Estados Unidos da América (EUA) na Operação Resolução Absoluta, em tradução livre.
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Trump aposta no “quanto pior, melhor” na ânsia de que o próprio sistema devore a si mesmo, dando assim demonstrações de que não se importa muito com a reorganização social do país, mas sim com a redistribuição mundial de seu petróleo, preocupado com o avanço da China no continente latino, chegando a chamar os populares de “pessoas mais feias que já viu”, logo a Venezuela, considerada um dos países que tem as mulheres mais bonitas, já tendo vencido o Miss Universo diversas vezes, 7 no total, enquanto os EUA venceu em 9 ocasiões, apenas 2 a mais, provando que em termos de capacidade estética os países estão equiparados e talvez por isso, quando disse “povo feio”, Trump se referia ao seu.
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Seguindo com a feiura, o presidente norte americano, herói da libertação do povo venezuelano, acatou que a vice do ditador Nicolás, assuma a presidência da Venezuela, e ela já tomou posse na última segunda-feira, dia 05 de janeiro. Estava na Rússia e voltou as pressas para assumir o cargo vacante e dizer em seu discurso que quer governar em parceria com os EUA, dando cheiro de conspiração e teatralidade, digna de uma novela, seja mexicana ou global, tipo “A Indomada“, por exemplo ou “A Usurpadora“.
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Enquanto isso, Maduro chegou ao seu destino, cumprimentando agentes desejando-lhes feliz ano novo e recebendo cuidados lisonjos ao passo que Trump já retirou-lhe a acusação principal de líder do narcotráfico, sob risco de impeachment, mas segue levantando dúvidas sobre outras nações soberanamente constituídas, na América e na Europa.
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Aqui em solo nacional e ano eleitoral, o PSDB descongelou Aécio Neves e oficialmente condenou ataques a Venezuela que renderam a captura de Maduro e ceifaram a vida de 80 pessoas, entre civis, militares, venezuelanos e cubanos. Partido esse que informalmente é reconhecido por seu alinhamento com a direita brasileira, que esteve contra Lula e seu PT por diversas vezes em segundo turnos presidenciais, mas lhe rendeu seu atual vice, agora no PSB. O presidente brasileiro inclusive indicado por movimentos de direita do Brasil, como auxiliar no esquema de tráfico de drogas da Venezuela, quando ao que tudo indica, nem Maduro o é.
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Joaquim Alcides é um filho de Ceres, seus pais foram pioneiros,
atualmente reside no estado do Mato Grosso,
é professor e Doutor em Sociologia e colaborador deste portal
