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Se somos humanos, por que falar em parto humanizado?

É importante falarmos do processo de humanização do parto, segue na leitura e venha entender o porquê!
Publicado em 24 de fevereiro de 2024
por Lia Muniz

Assistência ao parto realizada pela enfermeira Lia Muniz (Foto: O Agregador)

Se somos humanos, todo parto é humanizado, certo? Errado!

A humanização na assistência à saúde consiste em dar foco nas relações entre os profissionais e os usuários, é um olhar voltado para o cuidado integral, imbuído de empatia e respeito. Segundo o Ministério da Saúde (MS), é a valorização dos usuários, trabalhadores e gestores no processo de produção de saúde.

Um atendimento humanizado proporciona um ambiente benevolente para todos, facilita e melhora a comunicação entre profissionais e usuários, além de favorecer a autonomia e responsabilidade do usuário sobre a sua própria saúde. Apesar da humanização ser essencial na assistência, ainda são enfrentados desafios para a sua implantação na prática.

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Vastas posturas e atitudes provenientes dos profissionais de saúde, são contrárias a uma conduta humanizada. No âmbito da assistência ao parto e ao nascimento, mulheres são silenciadas e violentadas, têm seus direitos negados e são colocadas em uma posição de submissão aos profissionais da assistência, resultando em experiências de parto insatisfatórias e traumáticas, carecendo de humanização. Logo, faz-se necessário falar sobre humanização do parto e nascimento.

Ao contrário do que muitos acreditam, parto humanizado não é aquele parto na água, com flores, aromas e luzes coloridas, nem um parto domiciliar ou um parto de cócoras, mas todos esses, podem ser partos humanizados. O parto humanizado é aquele onde os desejos e vontades da mulher são respeitados, a mulher é a protagonista de todo o processo e participa ativamente de todas as decisões e condutas tomadas, contando com uma relação horizontalizada entre parturiente e profissionais.

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Parto é um evento natural, apesar de ocorrer dentro de um ambiente hospitalar, não é um evento patológico, logo, não precisa de “tratamento” ou “cura”. Parto é um evento familiar, não é doença, como sempre diz o Paulo Horta, renomado médico obstetra do município de Itapuranga. E aqui, começa uma visão mais humanizada do processo. Como não é um evento patológico, a mulher, protagonista, tem direito de conduzir o parto, de dizer quais posições quer adotar, a intensidade da luz, se quer se alimentar ou não, entre outras condutas.

Parto humanizado é sobre respeito e autonomia, é sobre os profissionais fazerem jus ao significado da palavra obstetrícia, que vem do latim, Obstare, que significa “Ficar ao lado”. Basta ficar ao lado e observar, deixar o processo natural fluir. Isso implica em abolir as intervenções de rotina, intervenções são benéficas quando necessárias, mas quando se tornam uma rotina, sem uma avaliação minuciosa e personalizada para cada caso, se tornam prejudiciais na assistência.

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Iniciativas como o HumanizaSUS vêm como uma tentativa de mudar esse cenário. No Brasil, Hospitais como Sofia Feldman em Minas Gerais e São Pio x em Goiás, são referências em humanização a assistência ao parto e nascimento, no entanto, quando se fala em humanização do parto, ainda há muito o que ser trabalhado e toda uma cultura, deve ser transformada.

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Lia Muniz é enfermeira obstétrica, doula e diretora do PASH, Plano Assistencial em Saúde Holística.

Ficha Técnica

Redação: Kássio Kran
Editor Chefe: Luiz Fernando

Parceria: PASH Doulagem

(Foto em destaque publicada com respeito ao Direito de Imagem)

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