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As investigações do Caso Daiane

Polícia Civil de Goiás investiga o assassinato da corretora Daiane, que tem como principal suspeito o síndico de seu prédio
Publicado em 14 de fevereiro de 2026
por Carl Jr.

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Na noite do dia 17 de dezembro, a eletricidade acaba no apartamento 402 do edifício Amethist Tower, prédio com 20 andares que fica em um complexo de blocos residenciais dentro de um importante clube de turismo da cidade de Caldas Novas – GO, ligado a um estruturado grupo de organizadores. Daiane Alves Souza tinha 43 anos, natural de Uberlândia – MG, sai porta a fora para ver o que houve e percebe que a luz nos corredores está normal, então desce até a recepção para falar com o porteiro sobre a situação encontrada.

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Ela deixa a porta aberta, como quem não havia planejado descer ou havia pensando em retornar sem demora. Na portaria não consegue resolver seu problema, na verdade, nem encontrou o porteiro, era horário de troca de turno, então decide descer mais um pouco e ir em uma área restrita, onde fica os relógios medidores de energia, também chamados de padrão. Ela morava em Caldas Novas já há 2 anos com o propósito inicial de cuidar dos imóveis de sua família.

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Entra no elevador, olha para a câmera, chega no andar, as portas se abrem, ela sai exatamente as 19h e nunca mais é vista, só sendo encontrada morta 43 dias depois em uma vala numa mata a 15km da cidade, após indicação do local por parte de seu assassino confesso, o síndico do prédio, Cleber Rosa de Oliveira, preso um dia antes em seu próprio apartamento, enquanto aparentava planejar um fuga, considerando as malas prontas encontradas pela Polícia, como quem se preparar para uma viagem, mesmo não tendo sido anunciado oficialmente como suspeito nas investigações.

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No dia 17 de dezembro, tanto a amiga de Daiane que recebeu os vídeos, quanto a família da corretora e até mesmo os clientes dela começaram a se preocupar pela ausência de respostas no celular, por onde as mensagens nem chegavam mais. No dia seguinte sua mãe, sua irmã e sua filha de 17 anos saíram de Uberlândia e percorreram cerca de 170km até a cidade turística de Caldas Novas.

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Ao chegarem subiram para o apartamento que conforme as filmagens tanto do circuito interno quando do celular de Daiane, estava com a porta aberta, mas a família se deparou com a porta trancada. Todas as coisas estavam intactas em casa. Algumas vasilhas sujas, a casa em processo de organização, o notebook em posição de uso e os óculos da vítima.

Procuraram pela Daiane em todos os cantos possíveis do prédio, do complexo de blocos e por fim de todo o condomínio e até pelo clube, não encontrando sequer vestígios. Foram até a Polícia que registrou o fato como desaparecimento e assim ficou por 30 dias, já que apenas em 17 de janeiro a Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH) entrou no caso.

Somente após essa data diligências começaram a ser realizadas. Já no dia 18 a Polícia começou a coletar oitivas de possíveis envolvidos, entre eles, a família da vítima, a amiga que recebeu os vídeos, um morador que encontrou Daiane no elevador com destino a recepção, o último a vê-la inclusive. Também foram ouvidos outros moradores, além do síndico e o porteiro. Cerca de 30 pessoas foram ouvidas, de fato, uma força-tarefa.

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No dia 19 a PCGO solicitou as gravações do circuito interno, mais de 1 mês após o sumiço de Daiane, que era até então dada como desparecida, sem sequer ter um único registro dela deixando o prédio. Não houve também movimentação financeira em sua conta, constatada após quebra de sigilo bancário, levantando a suspeita de que ela não estaria mais viva. Tudo levando a crer que ela havia deixado o local onde morava, mas não por conta própria, como se confirmou a posteriori.

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Não foram repassados para os investigadores todos os acessos as gravações e um dos registros tinha um corte de 2 minutos, justamente no local e horário em que Daiane estava. As múltiplas entradas e saída do clube dificultaram o entendimento de uma possível logística e a Polícia insistia na linha de desaparecimento, apontando que a mulher poderia estar viva em algum lugar. Um dos delegados disse a uma equipe de TV que custou acreditar que se tratasse de homicídio, visto o nível de cooperação do agora principal suspeito, demonstrando traços de provável manipulação.

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Como Daiane desceu filmando seu trajeto e enviou para sua amiga, ato comum praticado por ela, a PC se apoiou nessa atitude dela para cruzar os horários, locais e ausência de pessoas como no caso do porteiro da recepção, além de confirmar o desligamento da energia. Com tudo isso, conseguindo posteriormente uma filmagem que mostrou o carro do síndico saindo e voltando para o prédio quando ele negou ter saído naquela noite em seu primeiro depoimento, os policiais solicitaram uma perícia no automóvel.

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Aproveitando a ocasião foi realizado perícia no local onde ficam os padrões de eletricidade e arredores, região de ponto cego das câmaras. A Polícia usou luz negra e luminol, mas nada foi encontrado além de fios de cabelo no chão que mesmo com exame de DNA, o resultado foi inconclusivo. A demora no aprofundamento da investigação contribuiu para o apagamento de provas.

A essa altura o síndico já havia constituído sua defesa, até porque nessa data ele foi denunciado pelo Ministério Público (MP) pelo crime de perseguição contra Daiane, mas mesmo assim seus advogados, de um importante escritório, informaram que ele não era investigado e portanto, não era suspeito do desaparecimento, informando ainda que acusações ou falas mal elaboradas poderiam ser matéria prima para um processo.

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Moradores permaneciam em silêncio enquanto uma senhora chamada Nilse Alves, dona de 6 apartamentos no prédio, procurava cada vez com mais força pela mídia. Ela é a mãe da Daiane, que conviveu nas idas e vindas até o desfecho do caso, com o Cléber nos corredores do condomínio. A família, amigos e moradores da cidade começaram a organizar manifestações públicas nas ruas de Caldas, algumas ocorrendo na porta da Delegacia do município. As que ocorreram na entrada do edifício, o síndico sempre ia lá arrancar os cartazes fixados, com dizeres simples como: “Cadê Daiane?”, “Desaparecida” ou ainda “Justiça por Daiane”. O movimento a favor dela incomodava o homem.

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Até que cerca de 10 dias após a DIH assumir o caso, na madrugada de 27 para 28 de janeiro de 2026 os agentes deram busca em seu apartamento e o prenderam juntamente com seu filho Maicon Douglas de Oliveira. Haviam malas de viagem preparadas. Os membros da família de Daiane estavam a postos para achincalhar o agora suspeito e seu filho sendo detidos. A irmã da corretora filmou o momento e alguns vizinhos, enfim participaram e até alguns jornalistas não se contiveram.

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Na delegacia Cleber assumiu para si a responsabilidade dos fatos e confessou ter matado a mulher sem dar detalhes, se limitando a dizer que se encontraram lá no subsolo, ela exaltada enquanto ele se irritou por estar sendo filmado, perdeu o controle e assassinou a vítima, ocultando em seguida o cadáver. A Polícia suspeita que o crime tenha sido minuciosamente planejado.

As investigações ganham novas roupagens. No mesmo dia o ex-síndico leva a equipe policial até o local onde desovou o corpo. É notado que as águas correntes em dado momento deslocou um pouco o cadáver, provavelmente em algum dia muito chuvoso ao longo desse tempo de espera de mais de 1 mês o que fez com que o estado de decomposição estivesse já bem avançado em fase de esqueletização, mas ainda sim era possível ver os vestígios das roupas que Daiane usava naquela fatídica noite de 17 de dezembro, quando combinava com a família as festividades de natal e fim de ano.

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Muitas acareações, simulações e perícias foram realizadas desde então com a presença do assassino confesso e seu advogado de defesa. Apesar de ter sido levado inicialmente para Goiânia, capital de Goiás, foi transportado de volta para Caldas para dar continuidade as reconstituições. A Polícia com informações privilegiadas desconfiou que Daiane pudesse ter sido morta por meio de disparo de arma de fogo, então tiros foram disparados de maneira controlada na cena do crime em alguns desses procedimentos. Também foi dado busca em uma ponte cerca de 1km antes de onde o corpo foi deixado mas nada foi encontrado.

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O celular de Daiane foi achado na tubulação de esgoto do prédio após indicação do ex-síndico e já está sendo periciado. O filho dele está sendo apontado como alguém que contribuiu para a obstrução das provas, inclusive cedendo ao pai um novo celular, para supostamente evitar que as informações do aparelho antigo pudessem ser usadas contra ele. Cleber diz que agiu sozinho e Maicon não tem nenhuma participação no crime. Estão presos temporariamente por 30 dias, podendo ser prorrogado o prazo por igual período para finalização das investigações e posteriormente a conversão em prisão definitiva ou a liberdade para responder.

Acompanhe aqui as informações do Caso Daiane


Carl Junior é brasileiro, filho de suíços,
cientista humano, estudou nos EUA
e aborda temas ligados a Psicologia, Filosofia e Antropologia

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Ficha Técnica

Editor Chefe: Luiz Fernando
Supervisão: Greg
Redação: Kássio Kran
Imagem: OA

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