Há uma contradição evidente no debate eleitoral brasileiro: o bolsonarismo acusa seus adversários de espalhar notícias falsas, reivindica rigor da Justiça Eleitoral e se apresenta como defensor da verdade, mas tem um histórico extenso de divulgação de informações falsas ou distorcidas. A campanha de 2026 oferece novos exemplos dessa prática. Ignorar esse histórico enquanto se transforma cada episódio envolvendo adversários em prova de uma suposta desonestidade da esquerda é inverter a ordem dos fatos.
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O que precisa ser analisado é o conjunto dos fatos. E, nesse terreno, a família Bolsonaro tem um histórico que não pode ser ignorado.Uma reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que o canal de WhatsApp “Tropa do Flávio”, ligado à campanha de Flávio Bolsonaro, divulgou um vídeo antigo de uma mulher aparentemente consumindo cocaína como se as imagens fossem da manifestação em apoio a Lula, realizada na Avenida Paulista, em 11 de outubro. A gravação já circulava em páginas argentinas desde junho, antes do ato brasileiro.
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O próprio Flávio compartilhou o conteúdo, assim como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A associação entre o vídeo e a manifestação era falsa. A mesma reportagem apontou a divulgação de declarações de Lula fora de contexto e de uma imagem produzida por inteligência artificial sem a devida identificação. A agência Aos Fatos, por sua vez, identificou 17 publicações desinformativas no canal bolsonarista entre 7 e 13 de outubro, uma média superior a duas por dia.
Não se trata, portanto, de uma discussão abstrata sobre quem é mais ou menos coerente no discurso político. Há publicações específicas, imagens identificáveis e verificações jornalísticas que permitem examinar o que foi divulgado.
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Também é importante registrar que o Tribunal Superior Eleitoral determinou, em outubro, a retirada de três publicações feitas por Flávio Bolsonaro na rede X. Uma delas utilizava inteligência artificial para simular uma situação inexistente envolvendo Lula. As outras associavam o então pré-candidato a organizações criminosas sem o substrato factual mínimo considerado necessário pelo relator. A decisão foi fundamentada, entre outros pontos, na falta de identificação do conteúdo sintético e na descontextualização das associações.
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Giovanna Campos, 27 anos, é formada em jornalismo pela Universidade Federal de Goiás (UFG).
É editora do Jornal Opção em Goiânia, e militante pelos direitos humanos.
Não gosta de esportes, possui fé, mas não religião.
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