O presidente Lula, filho do Brasil foi alvo de uma homenagem de dar inveja a qualquer brasileiro honesto. Sua história foi contada no samba enredo da escola de samba Acadêmicos de Niterói, no desfile do Rio de Janeiro (RJ), abrangendo sua trajetória que saiu de operário em chão de fábrica, passando pela sua fase de sindicalista até como um trabalhador de origem fundar seu partido, dos Trabalhadores e chegar a se tornar a maior autoridade do país e uma das personalidades mais influentes.
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A influência do maior petista de todos é tamanha que o caso ganhou repercussão mundial com matérias nos principais jornais internacionais, mas ao mesmo tempo, reduziu a audiência da Globo, emissora tradicionalíssima na transmissão do evento na Marquês de Sapucaí, que todo ano leva milhões de pessoas para a Avenida onde está o sambódromo através das telas da TV e quem sabe, milhões de eleitores a urna.
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A oposição irritada imediatamente lançou seus reacts dizendo que a arte exibida no carnaval carioca não imita a vida real e apontaram que a situação se trata de um crime eleitoral, do tipo campanha antecipada, num ano de eleições presidenciais ao que tudo indica, bem acirradas, uma guerra política polarizada entre supostos comunistas e cap… direitistas, como se tratasse de uma estratégia de um partido liberal, o PT, que em uma transa realizou transações milionárias através do Governo Federal, do qual Luiz Inácio Lula da Silva é o líder.
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Cumprindo uma cota infinita de fake news mensal, a referida escola de samba, recém ascendida a elite do desfile que abriu a noite da festa mais polêmica que as confraternizações de Toffoli não recebeu recurso público tal qual foi ventilado pelos veículos informais, porém populares, de mídia. Autorizada de forma legal a uma captação de mais de 5 milhões de Reais através da criticada por quem não gosta de cultura, Lei Rouanet, a Acadêmicos de Niterói não fez, escancarando as dificuldades do acesso a financiamentos de projetos culturais, mesmo com tanta legislação de incentivo. É a vida irritando a arte.
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E não foi só ela. A Mangueira que sempre passa na Avenida machista dos sambistas de quinta série, a Beija-Flor que trouxe meu amor, a Salgueiro e a Viradouro, campeã, também tiveram montantes semelhantes aprovados e nunca captados. Vila Isabel conseguiu captar menos de 200 mil, tendo sido liberada a adquirir 4,9 milhões e a Grande Rio, autorizada a converter 1 milhão a mais em seu caixa, conseguiu míseros 10 mil Reais.
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Todas as 12 escolas participantes receberam 1 milhão cada através de uma parceria do tipo público-privada, entre a associação que organiza o evento, a LIESA e a EMBRATUR que é a agência brasileira de promoção internacional ao turismo, ou seja, totalmente interessada naquele evento que semelhante ao samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, projeta o país sambista, nos palcos do planeta inteiro. Os questionamentos desse e outros financiamentos chegaram ao Tribunal de Contas da União (TCU) que afirmou não haver nenhuma irregularidade, indicando que todas foram prejudicadas de maneira igualitária pelo STF (Sistema Tributário Financeiro) e antes que Xandão venha, informo que trata-se de um trocadilho, assim como o título dessa matéria.
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Após o desfile comentários maldosos passaram a ser direcionados a pobre escola de Niterói, num claro ataque ao direito de liberdade tão defendido pela direita e uma tentativa de interferência na autonomia artística, desnecessária politicamente falando, pois a arte pode ser expressa como o artista quiser sem o querer do próprio homenageado. Arte é ácida e crítica para que com liberdade poética possa ironizar o que está posto.
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E dessa forma a oposição da esquerda denunciou a prática de intolerância religiosa, simplesmente pelo fato de uma das alegorias do desfile criticar ironicamente o conservadorismo das famílias brasileiras, como se existissem apenas famílias conservadoras e como se todas as famílias conservadoras fossem cristãs, levando vários seguidores de Cristo, figura que só pregava o amor, a destilar seu ódio diante da situação nas redes sociais enquanto ignoram Valadão e escândalos recentes.
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Mas não foi a primeira vez que cristões (classe irregular da religião) se preocuparam com a qualidade do desfile carnavalesco. Em 2019 saíram em uma verdadeira Cruzada virtual contra a Gaviões da Fiel por uma alusão de luta entre Jesus e o Diabo num sentido figurado, pois o assunto central era outro. O estranho é ter pessoas cristãs lutando contra aspectos da festa e não contra a festa, que é toda anticristã, totalmente pagã.
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A oposição denunciou também a possível prática de publicidade eleitoral antecipada por parte do candidato a presidente do Partido dos Trabalhadores, que embora presente no evento, não participou da eventualidade, enquanto a Justiça já havia decidido não haver problema nesse tipo de manifestação cultural, mesmo que a arte específica irrite metade de uma nação polarizada, que briga até por escola de samba que nem conhecem.
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E a escola foi a que mais saiu perdendo. Com uma apresentação de pouca qualidade e cara de quem é estreante ou que não tem costume de desfilar, investiu muito mais numa ideia de expressão teatral do que na exposição carnavalesca de fato e assim cravou o próprio rebaixamento em uma das maiores festas do mundo, gerando comemoração de políticos importantes e claro, de suas massas de manobras que no conjunto ou não gostam de cultura ou não sabem o que é cultura. Preocuparam tanto em acusar a Gestão Federal com medo da propaganda antecipada surtir efeito, sem necessidade, pois a imagem de Lula foi pra baixo. Desgaste dos dois lados. O amor venceu, mas a direita, a esquerda e o Brasil, não.
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Joaquim Alcides é um filho de Ceres, seus pais foram pioneiros,
atualmente reside no estado do Mato Grosso,
é professor e Doutor em Sociologia e colaborador deste portal
