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A religião de Lionel Messi

Futebol não é religião mas o que os espectadores sentem transcende e torna surreal os efeitos do esporte mais popular do planeta
Publicado em 7 de julho de 2026
por Kássio Kran
Lionel Messi
Lionel Messi (Foto: Reprodução/FIFA)

Futebol não é religião, mas o que os espectadores sentem transcende a experiência humana e torna surreal os efeitos do esporte mais popular do planeta dando-lhe ares de sobrenatural em alguns aspectos inclusive no quesito influência política e social. Apelidos como “mago” ou “bruxo” dados a Valdivia e Ronaldinho respectivamente, ambos aposentados dos gramados dá ao futebol um espectro místico.

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Eles aliás assim como outros monstros do futebol são tidos como ídolos, verdadeiras entidades que personificam a identidade de suas torcidas ao vestirem os mantos sagrados de seus times. Se fosse religião seria pagã e politeísta. Quem não lembra do São Marcos? Taffarel e suas defesas milagrosas? Garrincha era chamado de “anjo das pernas tortas” e teve até o Edílson Capetinha.

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O sincretismo religioso fundido ao futebol é real e manda sinais a cada partida. É comum jogadores fazerem o sinal da cruz, agradecerem a Deus em primeiro lugar após as vitórias e dizerem que tudo está nas mãos de Deus e que Ele sabe o que faz, sempre quando termina com alguma derrota. A religiosidade está no futebol. Torcedores com paixão absoluta defendendo as cores e a filosofia de seus clubes até a morte. Fanatismo. Pelé é considerado rei e Diego Armando Maradona é deus.

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Igreja Maradoniana

Durante a Copa da França de 1998 uma ideia estava em curso e foi implementada naquele mesmo ano: a Igreja Maradoniana, na cidade de Rosário na Argentina e desde então vem conquistando devotos pelo mundo todo, com rituais de batismo e tudo mais, já tendo número considerável de fiéis na Espanha, México e claro na terra natal de Maradona, que é chamado de D10S, em referência a palavra Dios (deus em espanhol) associado ao número de sua tradicional camiseta em tempos de jogador, 10.

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Com traços cristãos, seus adoradores comemoram o Natal em 30 de outubro, data de aniversário de Armando e armaram até um novo calendário que estabelece o período antes de Diego (a. D.) e depois de Diego (d. D.). Parece brincadeira, mas a fé é tão grande que existem orações específicas semelhantes ao Pai Nosso que citam nomes brasileiros como João Havelange como demônio.

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Se veneram Dieguito pelo seu bom futebol espera-se que seja feito o mesmo por Lionel Messi, considerado por muitos críticos, melhor que Maradona ou pelo menos no mesmo nível. Melhor do mundo por 8 vezes, melhor da Copa 2022 da qual foi campeão e ainda com recordes construídos ao longo de toda a competição e agora em 2026 isolou como o maior artilheiro da história da Copas.

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Na entrega da taça, o capitão da seleção argentina foi convidado e se vestir com um traje típico, um acessório usado pela realeza árabe, uma espécie de capa bordada com fios de ouro dando-lhe buenos aires de herói. O rei do Catar, país da Copa, talvez não soubesse, mas dar aquele manto de presente a Messi coroaria o atleta e elevaria seu status ao de santidade e se o alto clero da Igreja Maradoniana não o reconhecer como salvador ou mesmo negar a ele um lugar de santo em seu altar, Messi é digno de ter sua própria denominação religiosa futebolística, o Messianismo.

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Kássio Kran é psicólogo, conselheiro do CRP/GO, palestrante e terapeuta,
fundador do Instituto Ubuntu e da Fundação Henrique Gabriel dos Santos
Atualmente é CEO do PASH – Plano Assistencial em Saúde Holística

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Ficha Técnica

Editor Chefe: Luiz Fernando
Supervisão: Greg
Redação: Kássio Kran
Edição: OA

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