A Copa acabou. O sonho do hexa foi adiado mais uma vez, pela sexta vez e só para manter o padrão, todas as vezes com uma eliminação para uma seleção europeia. Já são 24 anos sem vencer uma equipe da Europa em fase eliminatória. A questão é que times do velho continente não costumam errar em situações decisivas enquanto que o nosso desperdiça diversas oportunidades. Foi assim com o pênalti aos 14 minutos do primeiro tempo perdido por Bruno Guimarães e o gol impossível de errar, por Endrick, também aos 14 minutos, mas já do segundo tempo.
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Duas oportunidades que teriam mudado a história da partida se tivessem sido convertidas. Haaland teve sozinho apenas 2 chances de gol e converteu as duas. A média dele é 2 acertos a cada 3 tentativas. A vida é sobre não desperdiçar as oportunidades que surgem. Não é necessário fazer firula, mas sim encarar adversários e vencê-los. A escola italiana de futebol de onde Carlo vem, prega isso. Nossos jogadores são muito bons, mas não são competitivos por serem lentos em raciocínio e ação, burocráticos e sem personalidade. Os noruegueses são o contrário disso, em tudo.
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Nyland, o arqueiro viking nem tem histórico de defesas de pênaltis por sua seleção. Nem time para jogar ele tem, uma vez que no dia 01 de julho de 2026 não teve o contrato renovado com o time do qual era reserva, o Sevilla da Espanha. Bruno também não tem muita experiência em batidas de penais, mas Ancelotti teve seus motivos. Mas numa decisão só jogadores decisivos e decididos merecem responsabilidades decisivas, dizem os cronistas esportivos.
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O treinador da amarelinha errou então? Sim, mas seu plano de jogo estava certo. Faltou pernas e preparo físico para o Brasil? Evidente que sim, pois a Noruega chegou a ter 66% da posse de bola, mas o Brasil teve as melhores chances de gol. Estamos presos a um histórico 5 estrelas e cobramos como se os tempos fossem os mesmo daquela época. Talvez o tal jogador do Japão estivesse certo e a nossa arrogância pela suposta superioridade não nos tenha deixado perceber.
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O máximo que a seleção canarinho ficou sem um mundial foram 24 anos entre 70 e 94. Do penta em 2002 para 2026, completaram novamente os dolorosos 24 anos, mas o novo ciclo de amargura terá pelo menos mais 4 anos, ou seja, pelo menos 28 anos. A desacreditada confirmou seu descrédito. O Brasil jogou como a Noruega e a Noruega jogou como o Brasil.
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Fica um sentimento estranho de tristeza, frustração e vergonha de um povo que acorda cedo no dia seguinte a uma eliminação para pegar ônibus e ir pro trabalho bater cimento e limpar chão nos diversos brasis que existem pelo Brasil. Um povo que acredita tanto que chega a ter certeza da existência de uma conspiração da FIFA para favorecer uma seleção de camisa vermelha. Esse povo alegre que perdeu a autoestima, uma vez que sua maior alegria foi um dia gritar gol.
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Talvez seja isso que falte ao futebol brasileiro: mais operários do esporte e menos estrelas. E por falar em estrela vamos cantar o Blues da Piedade e voltar a nossa realidade de terceiro mundo, enquanto a Noruega ganha da gente no quesito futebol e na qualidade de vida, com uma carga tributária maior que a brasileira. E como diria o Chaves, da também eliminada seleção do México: “Teria sido melhor ir ver o Pelé”. Não deu Brasa!
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Kássio Kran é psicólogo, conselheiro do CRP/GO, palestrante e terapeuta,
fundador do Instituto Ubuntu e da Fundação Henrique Gabriel dos Santos.
Atualmente é CEO do PASH – Plano Assistencial em Saúde Holística
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