Saúde Mental é um termo muito complexo que envolve múltiplos setores da vida do indivíduo. É de uma maneira ampla o estado de bem-estar emocional, psicológico e social que permite ao indivíduo lidar de maneira assertiva com os desafios da vida. Para a OMS (Organização Mundial de Saúde), trata-se de um estado de bem-estar em que a pessoa reconhece suas capacidades, consegue enfrentar o estresse normal da vida, trabalhar de forma produtiva e ainda contribuir para sua comunidade.
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Conforme dados do Ministério da Previdência Social, só em 2025, foram mais de meio milhão de afastamentos do trabalho por questões de saúde mental, num total de 546 mil pessoas acometidas com problemas tais como ansiedade, depressão e bornout no Brasil, indicando que a massa populacional não saiba bem como construir e manter saúde mental, cabendo um trabalho intenso de conscientização, ainda mais com a NR1 batendo a porta.
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E essa conscientização passa pela “tradução” do que é saúde mental, ou seja, falar de forma mais simples do que se trata esse problema social, bem como sua solução. Portanto, saúde mental pode ser resumido em uma linguagem popular como “ter a cabeça boa” e ter a cabeça boa é algo fácil de inspecionar, cabendo ao próprio sujeito essa avaliação de si mesmo, uma vez que a forma de medir essa situação está na capacidade do indivíduo passar pelos problemas e conseguir ficar bem e tranquilo, considerando ainda que dificuldades são comuns e sempre ocorrerão, sendo importante construir uma maneira assertiva de reagir positivamente a elas sem ser profundamente afetado num ato de resiliência.
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Neste sentido práticas de autocuidado são ferramentas importantíssimas para a construção, reconstrução e manutenção da saúde mental. Autocuidado nada mais é do que a gente cuidar da gente mesmo. Muitos não se cuidam acreditando que esse ato denota egoísmo, mas se esquecem ou não sabem, que egoísmo é na verdade quando você olha apenas para você mesmo, portanto, quando dá-se prioridade para si mesmo sem se esquecer das outras pessoas, trata-se de amor próprio e o contrário, ou seja, a falta de amor próprio se origina do inverso, quando a prioridade são os outros.
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E numa sociedade praticamente cristã, apesar de seu estado laico, cabe dizer que o mais conhecido ensinamento do principal mestre do Cristianismo, Jesus disse: “Amai o próximo como a ti mesmo”, como a ti mesmo, revelando que os cuidados devem ser equilibrados. E de fato há coisas que apenas a gente pode fazer por nós mesmos, como dormir bem por exemplo, afinal, ninguém vai dormir por você.
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Dormir bem é uma dessas práticas de autocuidado. E o que é dormir bem? Dormir muitas horas seguidas? Não, pois muita gente dorme muitas e muitas horas seguidas e ininterruptas e no outro dia acordam se sentindo cansadas, com o corpo doendo em alguns casos e isso acontece porque não basta dormir, é necessário relaxar, senão o corpo adormece sem desligar a mente e muitos tem a sensação de terem trabalhado a noite toda, alguns até sonham com o serviço. Ter rotina de sono, como por exemplo um horário definido para dormir, também pode ajudar.
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Na mesma linha, acordar devagar também pode cooperar para a construção de uma boa saúde mental. A maioria “acorda correndo”, já despertando com 1000 coisas na cabeça, pulando da cama sem calma, já com pressa e assim nem sentem o sabor do café, mas apenas sua temperatura, engolindo-o sem saborear, isso quando consegue beber o café. Na correria coloca uma meia de cada cor nos pés e vai trabalhar, acelerando a mente além de sua condição, favorecendo processos ansiosos.
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E ainda tem aqueles que vão colocando sonecas de 10 minutos no despertador e adiando o início das tarefas e quando decidem de fato agir para o dia, já estão atrasados. O ideal é despertar com tranquilidade, respirar com calma o primeiro ar do dia. Sentir o sabor do café, saber definir se está amargo ou doce. Este ato simples é capaz de transformar o ritmo do seu dia.
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Se alimentar bem é outro ponto favorável a saúde mental, assim como tomar água de maneira adequada. Ter alimentação balanceada, com horários definidos e porções equilibradas com variedade nutricional é excelente para auxiliar o desenvolvimento da saúde mental. Normalmente a população em geral só toma água quando sente sede, mas quando a sede vem, é sinal de que o corpo já está desidratado e essa prática alimenta processos depressivos, portanto, adotar mecanismos para ingestão de água podem ajudar e muito nessa construção.
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Ter amigos é uma outra forma de ter uma boa saúde mental, mas as pessoas, por serem chatas, enjoadas e falsas, dificultam a aquisição de bons relacionamentos, mas quando falamos isso ignoramos que também somos pessoas e que deve ser tão difícil conviver conosco, como é com os outros, portanto a flexibilidade em prol da criação de conexões é um esforço que pode nos favorecer, já que é impossível medir o tamanho do benefício que é ter alguém para conversar, sair, dividir uma conta num bar, enfim, viver bons momentos.
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Passear é uma fonte de saúde mental, mas passear para muitos é exclusivamente fazer uma longa viagem, para a praia por exemplo e ali permanecer por pelo menos 15 dias. Isso também é passear, mas nem todo mundo vai conseguir fazer isso, portanto, se faz necessário criar outros mecanismos supridores dessa necessidade. Ir numa cidade vizinha, pode se transformar num passeio. Visitar um amigo que vive na mesma cidade, que as vezes só é visto passando de carro ou de moto pelas ruas com um cumprimento de longe, também é um passeio.
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Caso a pessoa esteja querendo evitar proximidades, há outras formas de passear com simplicidade, como por exemplo, sentar no banquinho de uma praça e tomar um sorvete. Desta forma surge uma tendência de que a vida passe a ser levada com mais leveza, favorecendo o entendimento de que não temos o controle de tudo, com exceção de nós mesmos e nossas reações.
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Igualmente importante é tirar um tempo para si mesmo, fazer as coisas que você gosta, como a simples ação de ouvir suas músicas. Muitos, há anos não ouvem as canções e sequer seus estilos musicais preferidos, alegando falta de tempo, mas poderão fazer isso enquanto tomam banho. Duas melodias que ouvirem fará total diferença na vida de quem há tempos não ouve nenhuma.
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Assistir um jogo de futebol para quem gosta também é motor gerador de saúde mental, mesmo que seja para discordar do juiz em casos de times muito ruins. A ideia é extravasar, por pra fora energia acumulada. Jogar também é maravilhoso. Dominó, Uno, baralho e até um sinuca servem com profundidade a esse propósito.
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Pescar contribui grandiosamente também, claro para quem gosta. Há pessoas que estão há anos sem pisar na beira de um rio para pescar, embora dizem que gostam. Essas pessoas se inserirem uma única pescada no calendário deste ano, já terão uma melhora de 100% em relação ao ano passado. Mas muitos não vão, pois não pegam uma boa quantidade de peixes. Ora, por acaso você é vendedor de peixe? Quem tem a obrigação de pegar peixe é quem vive dos frutos da pesca, nós, pescadores amadores, se pegar um peixinho para consumir ali mesmo, já é lucro, mas o que realmente renova a nossa saúde mental é o contato direto com a natureza.
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Um tempinho para não fazer nada também contribui para a melhoria da saúde mental, o que é chamado de ócio positivo ou “caixinha do nada”. Existe uma crença de que é necessário estar ocupado o tempo todo, mas isso só gera desgaste mental e não é indicado inclusive em filosofias antigas, como a oriental. E por fim a prática de exercícios físicos pode revolucionar o condicionamento mental.
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Fazer academia é uma opção excelente, mas muitas pessoas irão torcer o nariz, pois no ambiente há aparelhos estranhos, gente com roupas diferentes e muitos conhecidos no mesmo lugar, além de supostos olhares reparadores que podem constranger quem não está de bem com o próprio corpo, a própria autoimagem e portanto, com a autoestima. Então vamos pensar em outra prática mais simples.
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Andar de bicicleta. Logo a maioria das pessoas não tem um bicicleta que julguem adequada, uma daquelas maneiras que está na moda de ser utilizada. Alguns tem uma velha, sem marcha e por não se enquadrarem no padrão estabelecido atualmente de ciclista, não irão por as rodas na rua. Tudo bem, deve haver um exercício ainda mais simples. Caminhar, por exemplo. Não há nada mais simples e convencional.
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Mas, caminhar em locais convencionais para a prática, infere que encontrará muitas pessoas, levantará comentários e tal… Veja como é difícil lutar contra si mesmo, pois nossos mecanismos de auto sabotagem são muito fortes. Estamos sempre buscando um motivo para não cuidarmos de nós mesmos. Caminhe que seja em volta do seu quarteirão. Temos a dificuldade de dar o primeiro passo, de começar e dar o primeiro passo é tomar uma decisão, é crescer e dificuldade em crescer pode ser algum tipo de imaturidade.
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“Ah, que vergonha caminhar em volta do quarteirão. O vizinho corre 4km todo dia, ele vai rir disso.” Uma das fontes alimentadoras da depressão é a comparação com os outros. Compare-se consigo mesmo, você só pode se medir com a própria régua. Comece pequeno, como ensina a filosofia Ikigai. Dê uma primeira volta no quarteirão hoje, mantenha a constância em mais um dia, depois no terceiro dia, dê duas voltas e vai ampliando gradativamente conforme sua condição física. Pode ser que ao fim do ano você esteja fazendo 4km, pode ser que o vizinho esteja fazendo 40 ou até tenha parado. Isso não importa, importa que você começou e seguiu. Ir caminhando de casa para o trabalho não conta, pois há uma pressão por horário de chegada que atrapalha o relaxamento mental.
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E ainda tem o pessimista que vai dizer que todas as dicas desse texto são boas, simples e aplicáveis, mas o que realmente mudaria a saúde mental dele seria ganhar mais dinheiro e eu concordo que uma melhoria nesse campo traz sim uma tranquilidade, mas a gente precisa compreender a nossa própria condição. As vezes com o trabalho que se tem, não se terá acesso a mais recursos financeiros do que o habitual, a menos que mude o rumo de sua vida e o ramo de atuação de maneira drástica, portanto, se programar, planejar é muito melhor que projetar o inalcançável, criar ilusões para afogar a mente. Educação financeira também é saúde mental. Ela ajuda a pessoa a manter os pés no chão e mantendo os pés no chão, a cabeça fica em seu devido lugar.
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E se mesmo com todas essas dicas, que convenhamos são mesmo simples e fáceis de serem aplicadas, você sentir que não consegue ficar com a cabeça boa, procure ajuda de um profissional da Psicologia ou mesmo da Psiquiatria. Bata na porta do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) ou do postinho de saúde para que a equipe te encaminhe para o lugar correto. Boa parte da população ainda tem preconceito com profissionais e serviços de saúde mental, jugando que estão disponíveis e são especializados em cuidar de gente doida e são mesmo, mas não é só isso. Esses profissionais estão aí para quem quer ser melhor e deseja superar as dificuldades que em muitas ocasiões nos superam. Que essa seja uma de nossas metas em 2026: cuidar de nossa saúde mental.
Kássio Kran é psicólogo, conselheiro do CRP/GO, palestrante e terapeuta,
fundador do Instituto Ubuntu e da Fundação Henrique Gabriel dos Santos.
Atualmente é CEO do PASH – Plano Assistencial em Saúde Holística
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