OAgregador
6 anos
Search

Rádio OA

Pode conter a opinião do autor
Conteúdo original

O Caso Daiane, completo

Pondo fim num mistério e numa angústia, Polícia Civil de Goiás desvenda o sumiço da corretora Daiane depois de 43 dias
Publicado em 2 de fevereiro de 2026
por Carl Jr.

Na noite do dia 17 de dezembro, a eletricidade acaba no apartamento 402 do edifício Amethist Tower, prédio com 20 andares que fica em um complexo de blocos residenciais dentro de um importante clube de turismo da cidade de Caldas Novas – GO, ligado a um estruturado grupo de organizadores. Daiane Alves Souza tinha 43 anos, natural de Uberlândia – MG, sai porta a fora para ver o que houve e percebe que a luz nos corredores está normal, então desce até a recepção para falar com o porteiro sobre a situação encontrada.

Acesse nossa coluna sobre casos de violência

Ela deixa a porta aberta, como quem não havia planejado descer ou havia pensando em retornar sem demora. Na portaria não consegue resolver seu problema, na verdade, nem encontrou o porteiro, era horário de troca de turno, então decide descer mais um pouco e ir em uma área restrita, onde fica os relógios medidores de energia, também chamados de padrão. Ela morava em Caldas Novas já há 2 anos com o propósito inicial de cuidar dos imóveis de sua família.

Leia agora: A cidade que expulsa: Como o poder produz a segregação urbana

Entra no elevador, olha para a câmera, chega no andar, as portas se abrem, ela sai exatamente as 19h e nunca mais é vista, só sendo encontrada morta 43 dias depois em uma vala numa mata a 15km da cidade, após indicação do local por parte de seu assassino confesso, o síndico do prédio, Cleber Rosa de Oliveira, preso um dia antes em seu próprio apartamento, enquanto aparentava planejar um fuga, considerando as malas prontas encontradas pela Polícia, como quem se preparar para uma viagem, mesmo não tendo sido anunciado oficialmente como suspeito nas investigações.

CINEMÁTICA DO CRIME

Daiane desceu pelo elevador do quarto andar, de chinelo e roupa simples até o térreo onde procurou pelo porteiro que propositalmente ou não, estava ausente de seu posto. A Polícia Civil (PC) conduziu-o coercitivamente na data da prisão do síndico para prestar depoimento. Disse que nesse dia chegou atrasado ao trabalho, mas a PC desmentiu a informação, porém ele não é suspeito e foi liberado. Em seu depoimento ele esclareceu que não viu nada e não presenciou fato estranho, mas confirmou uma relação de convivência difícil entre os envolvidos.

Leia agora: Te desejo liberdade – Poema

Da recepção, Daiane decide descer até o subsolo para religar sua energia e voltar a limpar seu apartamento e lavar sua roupa, mas ao chegar lá é surpreendida pelo Cleber, que pode ter confrontado a vítima fisicamente, com algum golpe corporal e consequentemente terminando em estrangulamento como informado anteriormente pelas autoridades, porém, novas informações contam que uma bala de arma de fogo foi encontrada alojada na cabeça dela durante autópsia.

Cleber, o síndico assassino não foi visto por câmeras, pois usou as escadas para ter acesso ao local do assassinato, que não tem monitoramento, tratando-se de um ponto cego. A morte e a ocultação do corpo no local durou cerca de 8 minutos, considerando que as 19:08h uma moradora teve acesso ao local e sendo ouvida pela Polícia de Goiás, contou que não notou absolutamente nada.

O síndico colocou o corpo morto na carroceria de sua picape prata e saiu dali mais ou menos 40 minutos após a morte de Daiane, por uma saída que normalmente não é utilizada. O monitoramento desta e das saídas oficiais, estranhamente estavam desligadas nessa data o que com tudo que já se tem de informações pode ser um indicativo de premeditação, somado ao desligamento proposital de sua energia, como parte de uma armadilha ou emboscada, sinalizando para um comportamento calculista.

Leia agora: Valério Luiz: uma crônica antiesportiva – Sobre o assassinato de Valério Luiz

Com Daiane, que era corretora dentro do carro, o agora ex-síndico, percorreu 15km e abandonou o corpo da mulher na GO-213, no caminho para Ipameri – GO. O local é uma região de mata fechada, em uma vala onde há água corrente. Após esse ato, volta ao prédio cerca de 48 minutos depois e segue com sua rotina normal por 42 dias, indicando uma frieza anormal.

Leia agora: Animais soltos em GO é rotina

Para a Civil de Goiás em primeiro momento ele negou que tivesse saído de casa naquela noite, mas a Polícia conseguiu imagens que mostraram a picape indo em direção a mata com a carroceria fechada e voltando com o compartimento de cargas aberto em um trajeto que não duraria esse tempo todo em situação normal, que levaria metade dessa duração.

Da descida de seu apartamento até a recepção, a corretora filmou todo o trajeto, ao que tudo indica, direto no WhatsApp de uma amiga e enviou 2 vídeos ao longo desse tempo. Ao todo foram 3 gravações, flagradas pela câmara do sistema interno do elevador do qual ela sai as 19h filmando, mas esse registro não chegou para sua amiga e em seguida o aparelho não dá mais sinais e Daiane não é mais vista.

Leia agora: A queda parcial da internet

AS INVESTIGAÇÕES

Ainda no dia 17 de dezembro, tanto a amiga de Daiane que recebeu os vídeos, quanto a família da corretora e até mesmo os clientes dela começaram a se preocupar pela ausência de respostas no celular, por onde as mensagens nem chegavam mais. No dia seguinte sua mãe, sua irmã e sua filha de 17 anos saíram de Uberlândia e percorreram cerca de 170km até a cidade turística de Caldas Novas.

Leia agora: Diretrizes para defesa e proteção de adolescentes e jovens chegam às mãos do Papa

Ao chegarem subiram para o apartamento que conforme as filmagens tanto do circuito interno quando do celular de Daiane, estava com a porta aberta, mas a família se deparou com a porta trancada. Todas as coisas estavam intactas em casa. Algumas vasilhas sujas, a casa em processo de organização, o notebook em posição de uso e os óculos da vítima.

Procuraram pela Daiane em todos os cantos possíveis do prédio, do complexo de blocos e por fim de todo o condomínio e até pelo clube, não encontrando sequer vestígios. Foram até a Polícia que registrou o fato como desaparecimento e assim ficou por 30 dias, já que apenas em 17 de janeiro a Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH) entrou no caso.

Somente após essa data diligências começaram a ser realizadas. Já no dia 18 a Polícia começou a coletar oitivas de possíveis envolvidos, entre eles, a família da vítima, a amiga que recebeu os vídeos, um morador que encontrou Daiane no elevador com destino a recepção, o último a vê-la inclusive. Também foram ouvidos outros moradores, além do síndico e o porteiro. Cerca de 30 pessoas foram ouvidas, de fato, uma força-tarefa.

No dia 19 a PCGO solicitou as gravações do circuito interno, mais de 1 mês após o sumiço de Daiane, que era até então dada como desparecida, sem sequer ter um único registro dela deixando o prédio. Não houve também movimentação financeira em sua conta, constatada após quebra de sigilo bancário, levantando a suspeita de que ela não estaria mais viva. Tudo levando a crer que ela havia deixado o local onde morava, mas não por conta própria.

Leia agora: O sequestro da filha de Silvio Santos

Não foram repassados para os investigadores todos os acessos as gravações e um dos registros tinha um corte de 2 minutos, justamente no local e horário em que Daiane estava. As múltiplas entradas e saída do clube dificultaram o entendimento de uma possível logística e a Polícia insistia na linha de desaparecimento, apontando que a mulher poderia estar viva em algum lugar. Um dos delegados disse a uma equipe de TV que custou acreditar que se tratasse de homicídio, visto o nível de cooperação do agora principal suspeito, demonstrando traços de provável manipulação.

Acesse a TV OAgregador

Como Daiane desceu filmando seu trajeto e enviou para sua amiga, ato comum praticado por ela, a PC se apoiou nessa atitude dela para cruzar os horários, locais e ausência de pessoas como no caso do porteiro da recepção, além de confirmar o desligamento da energia. Com tudo isso, conseguindo posteriormente uma filmagem que mostrou o carro do síndico saindo e voltando para o prédio quando ele negou ter saído naquela noite em seu primeiro depoimento, os policiais solicitaram uma perícia no automóvel.

Aproveitando a ocasião foi realizado perícia no local onde ficam os padrões de eletricidade e arredores, região de ponto cego das câmaras. A Polícia usou luz negra e luminol, mas nada foi encontrado além de fios de cabelo no chão que mesmo com exame de DNA, o resultado foi inconclusivo. A demora no aprofundamento da investigação contribuiu para o apagamento de provas.

A essa altura o síndico já havia constituído sua defesa, até porque nessa data ele foi denunciado pelo Ministério Público (MP) pelo crime de perseguição contra Daiane, mas mesmo assim seus advogados, de um importante escritório, informaram que ele não era investigado e portanto, não era suspeito do desaparecimento, informando ainda que acusações ou falas mal elaboradas poderiam ser matéria prima para um processo.

Leia agora: MP apurou desvios de vacinas em cidade de Goiás

Moradores permaneciam em silêncio enquanto uma senhora chamada Nilse Alves, dona de 6 apartamentos no prédio, procurava cada vez com mais força pela mídia. Ela é a mãe da Daiane, que conviveu nas idas e vindas até o desfecho do caso, com o Cléber nos corredores do condomínio. A família, amigos e moradores da cidade começaram a organizar manifestações públicas nas ruas de Caldas, alguma ocorrendo na porta da Delegacia do município. As que ocorreram na entrada do edifício, o síndico sempre ia lá arrancar os cartazes fixados, com dizeres simples como: “Cadê Daiane?”, “Desaparecida” ou ainda “Justiça por Daiane”. O movimento a favor dela incomodava o homem.

Até que cerca de 10 dias após a DIH assumir o caso, na madrugada de 27 para 28 de janeiro de 2026 os agentes deram busca em seu apartamento e o prenderam juntamente com seu filho Maicon Douglas de Oliveira. Haviam malas de viagem preparadas. Os membros da família de Daiane estavam a postos para achincalhar o agora suspeito e seu filho sendo detidos. A irmã da corretora filmou o momento e alguns vizinhos, enfim participaram e até alguns jornalistas não se contiveram.

Leia agora: Censura ou excesso? Reflexão envolvendo jornalistas

Na delegacia Cleber assumiu para si a responsabilidade dos fatos e confessou ter matado a mulher sem dar detalhes, se limitando a dizer que se encontraram lá no subsolo, ela exaltada enquanto ele se irritou por estar sendo filmado, perdeu o controle e assassinou a vítima, ocultando em seguida o cadáver. A Polícia suspeita que o crime tenha sido minuciosamente planejado.

As investigações ganham novas roupagens. No mesmo dia o ex-síndico leva a equipe policial até o local onde desovou o corpo. É notado que as águas correntes em dado momento deslocou um pouco o cadáver, provavelmente em algum dia muito chuvoso ao longo desse tempo de espera de mais de 1 mês o que fez com que o estado de decomposição estivesse já bem avançado em fase de esqueletização, mas ainda sim era possível ver os vestígios das roupas que Daiane usava naquela fatídica noite de 17 de dezembro, quando combinava com a família as festividades de natal e fim de ano.

Leia agora: Como lidar com os sentimentos estranhos e desconfortáveis de fim de ano

Muitas acareações e perícias foram realizadas desde então com a presença do assassino confesso e seu advogado de defesa. Apesar de ter sido levado inicialmente para Goiânia, capital de Goiás, foi transportado de volta para Caldas para dar continuidade as reconstituições. A Polícia com informações privilegiadas desconfiou que Daiane pudesse ter sido morta por meio de disparo de arma de fogo, então tiros foram disparados de maneira controlada na cena do crime em alguns desses procedimentos. Também foi dado busca em uma ponte cerca de 1km antes de onde o corpo foi deixado mas nada foi encontrado.

Leia agora: Cheia de rio chama a atenção

O celular de Daiane foi achado na tubulação de esgoto do prédio após indicação do ex-síndico e já está sendo periciado. O filho dele está sendo apontado como alguém que contribuiu para a obstrução das provas, inclusive cedendo ao pai um novo celular, para supostamente evitar que as informações do aparelho antigo pudessem ser usadas contra ele. Cleber diz que agiu sozinho e Maicon não tem nenhuma participação no crime. Estão presos temporariamente por 30 dias, podendo ser prorrogado o prazo por igual período para finalização das investigações e posteriormente a conversão em prisão definitiva ou a liberdade para responder.

A PARTICIPAÇÃO DA MÍDIA

O caso ganhou repercussão nacional, sendo veiculado até mesmo no Fantástico da Rede Globo e no Domingo Espetacular da Record, mas até chegar nesse ponto, foi uma longa jornada. Inicialmente os telejornais sensacionalista falavam do caso mas sem profundidade. Muitos jornalistas demonstravam tendência a demonizar Daiane, tratando-a como uma pessoa de difícil convivência, graças aos relatos do até então síndico, que sempre conversou com jornalistas, mas nunca gravou entrevista.

Leia agora: E se os comentários agressivos que lemos na internet fossem levados para a vida real?

Com isso até parte dos espectadores tiveram uma aversão a Daiane devido ao controle das narrativas. Ela foi tida como chata, mimizenta, instável, confusenta, desequilibrada, louca e de difícil convivência, quando a verdade é que ela enfrentava os mandos e desmandos do síndico que ninguém tinha coragem de fazer. Sua mãe não se calou em nenhum momento e lutou para devolver a filha uma imagem mais condizente com a realidade, que era o esteio da família.

Leia agora: Existe mulher perfeita? – Matéria da especialista Lia Muniz

Aos poucos a mídia foi se voltando mais para Dona Nilse, até porque o síndico não dava entrevistas e ela, muito firme, sem demonstrar toda a sua dor, foi até tida como fria por alguns portais, num claro ato de misoginia orquestrado pelo sistema machista vigente, típico em casos de feminicídios. A mãe chegou a pedir apoio do governador Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente, que nas palavras dela “se orgulha de sua Polícia, que é a melhor do país”, muito consciente ela sugeriu que os espectadores marcassem o político nas redes sociais, pois mesmo que quem recebesse fosse um assessor, a informação em massa chegaria ao líder.

Leia agora: Desse jogo ninguém sai ganhando – Reflexão sobre crimes contra mulher

Após as mudanças de rumo das investigações casadas com a denúncia do MP no dia 19 de janeiro contra Cléber pelo crime de perseguição, houve uma guinada da mídia e maior cobertura do caso. Alguns jornais questionaram então até mesmo a postura da Polícia de Caldas Novas, colocando em dúvida a possibilidade até mesmo de prevaricação ou ao menos de desinteresse e morosidade, usando como base legal para tal a falta de materialidade de um crime, já que não havia corpo.

É dito entre os especialistas que se não fosse a cobertura crescente da mídia, o caso não teria sido esclarecido e talvez caído no esquecimento. Desde o início o canal The Exposed Brasil através da jornalista Fernanda Piacentini, deu cobertura total apontando os fatos que apenas posteriormente foram elucidados. O canal que teve acesso a filmagens, prints de grupos de WhatsApp de moradores e relatos de condôminos, sempre questionou os pormenores e atuou junto repórteres locais, que alimentaram a busca por soluções, como foi o caso de Alan Cassio.

Participe de nosso grupo de WhatsApp e fique bem informado

O canal citado expôs que Cleber reprimia quem comentava sobre o caso nos grupos e chegava até mesmo a excluir participantes por este motivo, afirmando que excluiria sim, a cada vez que se sentisse afrontado ou desrespeitado naquele ambiente virtual, mesmo que ninguém estivesse acusando-o, mas apenas comentando algo incomum que naquele momento era comum para a população residente ali.

O mesmo canal, uma semana antes da prisão deu publicidade a um vídeo onde o síndico e algum funcionário mexiam nos padrões de energia, sem sinalizar qual a intenção daquele ato, em uma das câmeras que suspostamente estava desligada no dia do crime em decorrência de uma reforma predial que ocorria no local.

CONFLITOS ENTRE DAIANE E O SÍNDICO

Liberado para uso há 3 anos, o prédio em que Daiane morava há 2, tinha Cleber como síndico mas não apenas isso, ele foi a principal liderança para a construção desta liberação, por meio da administração de uma espécie de associação entre moradores e esta liderança foi constituída por meio de seus métodos, que agora já sabemos quais são, podendo haver uma dívida de gratidão a ele, por alguns dos moradores, que com exceção de Daiane, jamais ousaram questionar as falhas administrativas e os excessos.

Dona Nilse e sua família adquiriram 6 apartamentos no prédio e alugavam ao menos 4 deles, No início Cleber, o síndico estava tomando conta desses aluguéis, mas ao perceberem incoerências na oferta, cuidado e no repasse financeiro, decidiram cuidar pessoalmente dos imóveis. Por isso Daiane saiu de Minas e foi morar em Goiás.

Leia agora: Cidade na divisa entre MG e GO não terá pedágio mais

Aos poucos outros donos de apartamentos perceberam o zelo de Daiane com os negócios e começaram a migrar a realização de serviços de aluguel para a corretora, tomando espaço e dinheiro do síndico que também fazia esse tipo de serviço, inclusive com apartamentos próprios, gerando conflito de interesses e então começou a impor sanções a ela e na sequência a outros condôminos. Como administrador do prédio inteiro passou a impor multas altas como forma de coerção.

Isso não foi suficiente para intimidar Daiane e Cleber foi aumentando a dosagem de repressão e a tensão foi escalonando até chegar numa assembleia geral onde 52 dos 58 participantes votaram para expulsar Daiane do prédio que também era dela. Ela entrou com processo judicial e conseguiu liminar que lhe dava direito ao acesso, cassando portanto o resultado da votação, que mais tarde se provou ser fraudulenta, uma vez que a corretora não pode sequer participar para elaborar a defesa e a maioria dos votos foi dado pelo próprio síndico, por meio de procurações, sinalizando abuso de poder.

Com a liminar em mãos, ou seja, autorizada a usar um espaço que também era dela, o síndico cria um artifício para atingir a corretora. Dessa vez ele proíbe ela de ter acesso a recepção e informa que não realizará mais nenhuma manutenção referente aos apartamentos que estão sob sua responsabilidade, se aplicando também aos demais inquilinos que estivessem fechados com ela.

A partir de então começa uma perseguição desmedida, que levou a acusação do MPGO. Em uma ocasião a mãe de Daiane estava no elevador e ele parou de funcionar quase que ao mesmo tempo, mesmo com a eletricidade normal em todo o prédio. A corretora foi até a recepção e lá encontrou o síndico Cleber, contou a ele a situação e com tranquilidade afirma saber que a administração possui uma chavinha para situações emergenciais envolvendo o meio de transporte entre andares. Ele diz desconhecer o procedimento e não lhe dá atenção. Tudo filmado. Nilse fica por 50 minutos presa.

As perseguições não pararam por aí. A eletricidade passou a ser interrompida com frequência nos imóveis de Daiane, inclusive quando haviam hóspedes e até o fornecimento de água. Ela passou a documentar tudo em vídeo. Em certas ocasiões alguém operava de forma ilegal o relógio, já que certos procedimentos só podem ser feitos pela concessionária de energia elétrica, como mexer na fiação interna do aparelho. Ela passou a trancar o padrão, mas não adiantava.

Leia agora: Furtos de cabos elétricos prejudicam abastecimento de eletricidade

Brigas começaram a acontecer. Daiane em muitos momentos perdia a calma e gritava com o síndico e ele, por diversas vezes mostrou seu desequilíbrio no trato com ela. Parecia agir de forma deliberada a atingi-la. Dizia aos vizinhos que ela era feiticeira, macumbeira, que usava drogas e era uma mulher qualquer, claramente difamando-a.

Leia agora: Aprenda a desenvolver sua saúde mental

Certa feita invadiu o apartamento de Daiane, aproveitando que a porta estava aberta, justificando a entrada justamente por isso e filmou o interior, onde claramente se notava a instalação de armários e guarda roupas, mas ele distorceu os fatos e narrou que ela estava montando uma marcenaria no apartamento e isso atrapalharia a tranquilidade do lugar. O MP de Goiás constatou que ele a stalkeava pelas câmeras de monitoramento e por isso também o denunciou pelo crime de perseguição, demonstrando que o assassinato foi movido por sentimento de ódio.

Leia agora: Aporofobia e a covarde perseguição

Era uma morte anunciada. Daiane abriu 12 processos contra Cleber, acusando-o inclusive de violência física e de racismo. Nenhum serviu para protegê-la, embora ela tenha ganho todos. O último processo lhe garantiu uma indenização de cerca de 20 mil Reais, mais ou menos 10 dias antes do assassinato, período este inclusive que o síndico havia parado de provocar a mulher e se mostrava mais tranquilo, voltando a ativa apenas no dia do sumiço e morte da Daiane.

Leia agora: Ser Negro no Brasil: Entre resistir e ensinar, um relato pessoal

HISTÓRICO DE CLEBER

Alguns portais de notícia chegaram a apontar de maneira irresponsável uma possível prática de corporativismo da Polícia de Caldas Novas, supondo que Cléber, o síndico de 49 anos fosse ou tivesse sido militar, quando na verdade existe um oficial goiano com o mesmo nome dele, tratando-se portanto de uma confusão, é importante deixar claro.

Cleber foi professor de química. Teve problemas em muitos lugares onde prestou serviço. Normalmente visto como alguém difícil, chato e complicado, adjetivos que ele atribuía a Daiane. Conforme relatos de seus ex-empregadores, ele não era participativo, não gostava de participar de nada e nem de conviver. Refutava aplicar ideias que não eram suas, não era prestativo, não aceitava ordens e por vezes era rude até mesmo com alunos. Um comportamento que deve ser estudado pelos devidos especialistas, mas que condiz com sinais de narcisismo.

Leia agora: O caso de Caetano Veloso e sua empregada

Um representante de uma escola na cidade de Catalão também na região sul do estado de Goiás, trouxe muitos detalhes sobre a personalidade do até então professor contando que sua passagem como trabalhador da unidade educacional durou pouco justamente pelos indícios altivos de Cleber. Após sua prisão muitas manifestações de moradores e donos de apartamento eclodiram reclamando de seu comportamento, sua gestão e sua condução de relações.

Leia agora: Empresa de cidade goiana vem cuidando da saúde mental de seus colaboradores

Cleber já possuía além dos 12 processos impetrados pelos advogados de Daiane, uma passagem na Justiça por adulterar as placas de um carro por algum motivo com fita isolante em 2022, chegando a ser preso, mas solto após pagamento de fiança. O caso foi arquivado em maio de 2025, mesmo ano em que matou Daiane 7 meses depois, talvez por apostar em sua impunidade ou na nulidade processual, considerando ainda áudios vazados dele falando mal da Justiça, dizendo que é lenta e que não resolve nada, agora está nas mãos dela com forte indício de punibilidade envolvido em crime de comoção social, com traços de psicopatia.

DESFECHO DO CASO

A mãe e a irmã de Daiane ao receberem a confirmação da prisão daquele que havia sido o síndico do prédio, tiveram um surto de raiva e depredaram a recepção e as adjacências administrativas. Em seguida moradores se uniram a elas e picharam as paredes, vidros e móveis do local com xingamentos em vermelho. Invadiram também o apartamento do suspeito e quebraram tudo com sua esposa lá dentro. A ela não fizeram nenhuma ação.

A família da vítima assassinada não sinalizaram que pretendem se desfazer dos bens na cidade de Caldas Novas, mas afirmam que querem seguir a vida dentro de uma possível normalidade. Esperam o fim das diligências assim como a liberação do corpo por parte da Polícia Técnico Científica de Goiânia para fazerem o velório em Uberlândia e nas palavras da genitora, dar a Daiane a justa homenagem que ela enquanto mulher batalhadora, independente e destemida merece.

Clique e fique por dentro de notícias do estado de Goiás


Carl Junior é brasileiro, filho de suíços,
cientista humano, estudou nos EUA
e aborda temas ligados a Psicologia, Filosofia e Antropologia

Mais lidas

Nova greve dos funcionários da duplicação da BR-153 em Uruaçu-GO
2 Animais soltos na GO-480 é rotina
Atualizações sobre a Venezuela
Aprenda a desenvolver sua saúde mental
Guanabara City é campeão goiano na Copinha

Conheça o PASH – Plano Assistencial em Saúde Holística

Ficha Técnica

Editor Chefe: Luiz Fernando
Supervisão: Greg
Redação: Kássio Kran
Imagem: OA

Os comentários do OAgregador ainda não estão disponíveis. Nossa equipe esta trabalhando para desenvolver um sistema de comentários seguro.

A Batalha do Pequeno Príncipe, fruto da inspiração da Batalha do Curumim, tem conquistado o coração e a criatividade das crianças na Escola Municipal Pequeno Príncipe
As definições das pré candidaturas a uma cadeira na Alego estão se definindo a passos lentos. No caso de Ceres, pelo que parece, há pouca movimentação.
Conheça a história desse artista, que é um ícone querido na cidade de Rialma e em sua vizinha, Ceres. Com vocês, Elvis!

Ao decidir navegar pela Rede OAgregador, você confirma que leu e concorda com a nossa Política de Privacidade.

oa

Não perca
nenhum conteúdo

Siga a rede OAgregador na sua rede social favorita e seja alertado sobre novos conteúdos para você:

oa

Não perca
nenhum conteúdo

Siga a rede OAgregador na sua rede social favorita e seja alertado sobre novos conteúdos para você: