Cada vez mais pesquisas de opinião e intenção de votos revelam um fenômeno novo: os mais jovens estão cada vez mais alinhados ao campo conservador. A pesquisa “Juventudes: um desafio pendente” da Fundação Friedrich Ebert Stiftung do Brasil, revela não só as causas, mas os assuntos que levam os jovens a se identificarem com líderes de extrema direita. Por outro lado também mostra caminhos de uma visão progressista que pode voltar a ganhar palco.
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Se está difícil falar com os jovens sobre direitos reprodutivos, já que 51% são contrários ao aborto, 16% não tem opinião formada e apenas 33% apoiam a legalização, talvez seja hora de falar sobre o futuro, emprego e carreira, uma vez que 61% apontam o desemprego como o principal problema do país e 55% defendem políticas públicas de emprego.
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Se a guerra cultural trava o debate, educação e saúde pública destravam-no, considerando que apenas 12% dos jovens se engajam ou se identificam com o feminismo enquanto 26% se mobilizam em torno da defesa da família e ao mesmo tempo 86% dos jovens defendem que o Estado priorize educação e saúde. Nenhum tema moral aparece no topo das preocupações central da juventude.
Se está impossível conversar sobre sobre partidos e instituições, pois 57% dos jovens não confiam nas siglas partidárias e 49% acreditam que a democracia pode funcionar sem eles, talvez seja hora de falar sobre futuro e trabalho, pois apenas 36% desses jovens tem trabalho estável e a precarização do trabalho aparece como fator central da insatisfação juvenil.
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Se falar em esquerda e direita sempre gera confusão, pois os dados indicam que 38% dos jovens se identificam com a direita, enquanto apenas 18% se declaram de esquerda, então é hora de falar do que realmente importa: impostos mais altos sobre os super ricos. 60% dos jovens apoiam essa cobrança.
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41% dos jovens concordam que a violência criminosa justifica a violência policial, enquanto 25% se declaram indiferentes. 64% acreditam que a formação e valorização policial reduzem a violência. Jovens negros demonstram maior desconfiança na polícia e no judiciário. Portanto, se falar em violência acaba gerando mais violência, há um outro caminho para abordar o tema Segurança Pública.
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Fundação Friedrich Ebert – FES Brasil
