2001 foi um ano de extremos para Silvio Santos, que além de empresário e apresentador também era pai de uma família e sempre muito reservado com essas questões familiares desde sempre, viu sua vida exposta com o sequestro de sua filha Patrícia aos 23 anos, em agosto do mesmo ano em que foi homenageado pela Tradição no Carnaval carioca.
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A filha 04 que até então desconhecida, tentava terminar mais uma vez, um curso superior, agora de Administração, ficou 1 semana em cativeiro e só foi liberada após o pagamento do resgate no valor de meio milhão de reais. Ela havia sido levada por 5 criminosos que invadiram a casa, para um cativeiro há 10 quilômetros dali, há exatos 24 anos atrás e afirmou ter sido bem tratada por todo esse tempo.
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Segundo relatos dela, chamavam-na de Princesa, lhe davam pipoca e até oravam juntos. Ela definiu seus sequestradores como boas pessoas assoladas pelas desigualdades sociais e sugeriu em público que não fossem punidos, levantando a suspeita de ter desenvolvido a conhecida Síndrome de Estocolmo, condição psicológica em que uma vítima desenvolve afeto por seus agressores.
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O caso é cercado de mistérios. Disfarçados de carteiros conseguiram acesso ao interior da residência e não levantaram suspeitas. Um dos envolvidos abandonou o emprego para investir no plano criminoso. Silvio Santos estava em um apartamento em outro bairro, avisado pela esposa por telefone. Ele e Íris, estavam separados há cerca de 1 mês.
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Confirmado o pagamento, o grupo criminoso colocou-a em seu próprio carro, vendada no banco traseiro e soltou-a na Marginal Pinheiros em São Paulo, conseguindo voltar pra casa com relativa tranquilidade, na madrugada do dia 28 dirigindo seu automóvel. Mas a Polícia já estava em ação e acabou prendendo quase todo o bando, faltando apenas o casal apontado como mentor do crime, que estavam com o dinheiro em seu poder.
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Se tratava de Fernando Dutra e sua namorada, Luciana que conseguiram fugir em uma das situações após troca de tiros com a morte de 2 policiais. Assim, dois dias após a liberação de Patrícia, Silvio viu sua vida exposta novamente em todos os veículos de comunicação, quando o sequestrador invadiu mais uma vez a sua casa com receio de ser morto pela Polícia que o perseguia, buscando em suas vítimas, proteção.
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Na mansão da Família Abravanel, Silvio deu um jeito de despistar o bandido e facilitar a fuga da família e dos funcionários, ficando sozinho com o sequestrador como seu refém por 8 horas, mas tiveram nesse longo espaço de tempo, uma boa relação, com lanches, risos, banho e roupas novas para Fernando, dadas pelo dono da casa e do Baú, que ainda lhe prometeu emprego quando deixasse a prisão.
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O criminoso exigiu um helicóptero para favorecer sua fuga e a presença do então governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckimin, hoje vice presidente do Brasil, mas ao invés de fugir, decidiu se entregar e colocar fim a saga do sequestro, 15 minutos após a chegada do político. Mas o fim mesmo veio no ano seguinte, 5 meses depois, com a morte de Fernando na cadeia em decorrência de uma pneumonia, aos 22 anos, tendo a perícia constatado sinais de tortura.
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Kássio Kran é psicólogo, palestrante e terapeuta,
fundador do Instituto Ubuntu e da Fundação Henrique Gabriel dos Santos.
Atualmente é CEO do PASH – Plano Assistencial em Saúde Holística